domingo, setembro 02, 2007

Enquanto o excelente ZODÍACO fica sem aparecer nas locadoras, aqui vão comentários sobre 3 filmes que também são inspirados em crimes de assassinos da vida real.

CÁLCULO MORTAL (Murder by the Numbers, 2002, EUA)


Filme descartável do cineasta Barbet Schroeder, que tem alternado projetos pessoais como NOSSA SENHORA DOS ASSASSINOS com filmes para estúdios. Também produzido por ele, CÁLCULO MORTAL reconta outra vez a história que inspirou o clássico FESTIM DIABÓLICO de Alfred Hitchcock. Sandra Bullock (até aturável...) faz uma detetive que suspeita do envolvimento de dois jovens de famílias de classe alta (Ryan Gosling e Michael Pitt) em um assassinato.

Acho legal ver alguém apresentando os responsáveis pelo crime num filme de suspense e conseguindo segurar a nossa atenção durante toda a sua duração. Mas depois de uma promissora meia hora, CÁLCULO MORTAL nos empurra 1h30min da mais pura mesmice. Se bem que o título original me avisou, então a culpa por eu ter assistido ao filme é minha mesmo. A censura 18 anos da capinha do DVD é uma das mais mentirosas de todos os tempos. Dá pra passar esse filme inteiro e sem nenhum corte no horário da novela. A produção ainda perdeu pontos comigo por ser mais uma a desperdiçar o talento do ótimo Chris Penn.

KARLA - PAIXÃO ASSASSINA (Karla, 2006, CAN)


O que acontece quando um simples filme B é feito com o diretor pensando que está realizando algo importante? Essa produção canadense de Joel Bender com Laura Prepon (da série THAT 70'S SHOW) e Misha Collins interpretando o casal Karla Homolka e Paul Bernardo responde muito bem a questão.

Paul filmava os estupros e assassinatos das jovens que raptava, enquanto Karla o auxiliava. Toda a trama é contada a partir do relato que a criminosa faz a um psiquiatra dentro do presídio. As atuações são boas e o roteiro é melhorzinho do que a média das produções do estilo. É por isso que seja uma pena que KARLA sofra do mal daqueles filmes que falam sobre um assunto violento e se esforçam ao máximo para a sua violência ser quase nula. Sim, sim, muitas vezes a violência sugerida funciona bem melhor do que a mais explícita, mas este não é o caso. Nem mesmo as atrizes pagam peitinho quando tiram a blusa!! Assim não dá... pra filminho B puritano a minha tolerância agora é zero!

O ESTRANGULADOR (The Hillside Strangler, 2004, EUA)


Radicalmente o oposto dos filmes comentados acima. Aqui, uma dupla de bons atores injustiçados interpreta dois dos mais famosos assassinos em série norte-americanos. C. Thomas Howell é Kenneth Bianchi e Nicholas Turturro faz Angelo Buono, os homens responsáveis por crimes que a polícia acreditava serem creditados a uma única pessoa. A imprensa apelidou o suposto assassino de O ESTRANGULADOR DE HILLSIDE. Quem dirige essa produção de baixo orçamento é Chuck Parello, de ED GEIN e da malhada continuação desnecessária do chocante HENRY: RETRATO DE UM ASSASSINO. Howell e Turturro convencem na pele dos malignos homens que descobrem ter prazer de matar ao sairem numa noite para se vingar de uma prostituta. Durante 14 meses, os dois estranguladores tiraram as vidas de muitas mulheres inocentes.

Enquanto eu o assistia, senti de imediato que ele era um legítimo exploitation. Não aparece nada da investigação policial sobre os crimes, tudo o que vemos simplesmente é Bianchi e Buono atrás de suas vítimas e as executando. Assim como no clássico A VINGANÇA DE JENNIFER, onde o expectador só acompanha o ato do estupro e a vingança da moça do título contra seus malfeitores. No filme há nudez feminina, sexo, muitos palavrões, estupro e uso de drogas, ou seja, fiquei surpreso pois fazia muito tempo que não via um filme B recente com tudo isso. Mas a maior surpresa é ver um caidaço C. Thomas Howell dando vida a esse tipo de personagem e não desapontar em seu desempenho. A direção até descuidada e o roteiro que apresenta furos e soluções muito apressadas colaboram ainda mais para que O ESTRANGULADOR seja algo efetivamente desagradável de se assistir. Indico mais o filme para quem sente muita falta de um exploitation atual que se assuma como um.

Existe uma outra versão desta história feita para TV chamada O FIO DA MORTE (The Case of the Hillside Stranglers, 1989). Ela conta com um jovem Billy Zane e o sempre ótimo Dennis Farina fazendo os dois primos assassinos e o saudoso Richard Crenna como um policial que está investigando o caso. Se por acaso você conseguir achar a rara VHS dele lançada pela VTI, arrisque uma conferida pois trata-se de um bom filme.

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