segunda-feira, agosto 13, 2007

IRMÃOS DO CRIME (Jiang Hú / Gong Wu, 2004, HK)


Está para existir algo tão estiloso no cinema moderno quanto o cinema policial chinês. Lançado recentemente em DVD no Brasil, IRMÃOS DO CRIME confirma essa tendência ao se mostrar mais um belo exemplar do estilo. A trama não tem nenhuma novidade, mas a gente acaba mais atento pela maneira como ela é contada ao invés de ficar chateado pela sua parcela de previsibilidade.

No filme que se passa no curso de uma noite, o chefe Hung (Andy Lau) fica sabendo de duas coisas. A sua esposa dá luz ao filho que tanto esperava e que um assassino fora contratado para executá-lo em menos de 12 horas. Preocupado, o seu melhor amigo na organização apelidado de Canhoto (Jacky Cheung) lhe diz que o melhor a se fazer é sair da cidade e deixar os negócios com ele. Hung discorda e decide ficar em Hong Kong para proteger seus homens e sua família. Canhoto se decepciona com o amigo e envia seus homens para eliminar os três principais suspeitos (entre eles, Eric Tsang) pela assinatura do contrato de execução. Enquanto isso, vemos Yik (Edison Chen) e Turbo (Shawn Yue), dois jovens amigos do submundo, participando de um sorteio que dará chance a um deles de executar o chefão da cidade e crescer na tríade pelo seu feito.

Como dá pra perceber, temos mais da metade do elenco da série CONFLITOS INTERNOS aqui. Edison Chen e Shawn Yue estão melhores do que de costume e Andy Lau e Jacky Cheung passam mais da metade do seu tempo em cena dialogando dentro de um restaurante, mas o duelo de atuações e o carisma deles prendem o interesse. Faltou apenas o filme explorar de maneira um pouco mais satisfatória a questão do conflito de gerações dentro das gangues, algo que eu amo ver num filme do estilo. Lau e Cheung representam o antigo e Chen e Yue são o novo. Alguns personagens importantes ainda saem da trama como se não fossem nada.

Mas o clímax é inesquecível e emocionante. Por causa de uma revelação, o filme que antes aparentava ser só estilo acima de substância agora tem um significado. Mesmo que a gente tenha se tocado pouco tempo atrás sobre o que a produção realmente fala, é de se admirar o talento narrativo e visual de Ching Wong-Po. Com IRMÃOS DO CRIME, temos a revelação de um novo nome que deve marcar o cinema chinês, como vem fazendo o seu conterrâneo Johnnie To. Apesar de falho em alguns momentos, este filme de quase 1h20min é uma pequena surpresa que merece ser conhecida.

Just beautiful. :)

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