quarta-feira, agosto 08, 2007

ENCONTROS E DESENCONTROS (Lost in Translation, 2003, EUA)

Eu prometi a mim mesmo desde a última quinta-feira - que foi quando voltei a acessar a Internet regularmente - de que iria atualizar mais este blog da maneira como eu fazia antes, com pelo menos uns 4 posts de conteúdos diversos toda semana. Espero superar essa marca a partir de hoje falando de um daqueles filmes da linha "todo mundo viu, menos eu" que finalmente fui assistir neste final de semana. Além de ter um título original brilhante, ENCONTROS E DESENCONTROS da Sofia Coppola é uma beleza de filme. Aquele sábado tão comum ficou estranhamente bonito de uma hora para outra quando terminei de assisti-lo.


Bill Murray surpreende vivendo Bob Harris, um astro dos anos 70 que agora apenas vive da sua fama no passado. Ele está em Tóquio para fazer um comercial de uma marca japonesa de whisky. A linda e talentosa Scarlett Johansson é Charlotte, uma garota que também se hospedou no mesmo hotel de Harris com John, o seu marido fotógrafo (Giovanni Ribisi). Bob passa horas e horas no bar do local, enquanto Charlotte vive trancada no seu quarto por não ter familiaridade com a cidade e os amigos de John. É num momento de tédio que a moça vai ao bar e se encontra com o tristonho e decadente ator mandando ver nas doses de whisky. Do pequeno papo batido na ocasião, nasce também uma amizade que nem eles e nem os espectadores do filme conseguirão esquecer por um bom tempo.

ENCONTROS E DESENCONTROS é isso mesmo que vocês estão pensando. Um simples relato de uma amizade surgida entre duas pessoas de diferentes sexos e idades. Some-se ainda o fato de que elas tem a mesma nacionalidade e estão em um país completamente diferente do seu. Mas não se trata de um relato qualquer. Conduzido com visível carinho e sinceridade pela Sofia Coppola, o filme pede para que nós realmente fiquemos atentos ao que está acontecendo. É um daqueles raros filmes onde as imagens vistas ao redor das personagens e os gestos e expressões faciais delas transmitem mais conteúdo do que qualquer linha de diálogo escrito.

O desconforto sentido por qualquer estrangeiro que coloque seus pés pela primeira vez em um país como o Japão não poderia deixar de ser destacado. Num dos muitos momentos divertidos e memoráveis do filme, vemos Bob se atrapalhar todo para tomar um simples banho por causa da sua altura, que é fora da média nipônica.

Outra coisa de qualidade inquestionável em ENCONTROS E DESENCONTROS é a sua trilha sonora. Impossível de esquecer um desafinado Bill Murray mandando ver a imortal MORE THAN THIS de Roxy Music na cena do videokê. O cara conseguiu a proeza de deixar a música ainda mais deprê hehehe. Scarlett também não fica atrás com THE PRETENDERS na mesma seqüência. E o final com JUST LIKE HONEY de The Jesus and Mary Chain? PQP!!


Para mim, o único probleminha de ENCONTROS E DESENCONTROS é a grande quantidade de comentários que ele vem reunindo até hoje por ser muito elogiado, coisa que cria uma expectativa elevadíssima. Penso que teria gostado ainda mais dele se não fosse por causa disso. Já vi filmes de beleza maior ou semelhante sem todo aquele "auê" criado na época de seu lançamento e da sua premiação no Oscar. Isso meio que tenta forçar algumas pessoas a quererem gostar do filme só para dizer aos amigos que o recomendaram de que eles estavam certos. Outra produção que também se beneficia disso e eu não achei essas coisas todas é DOGVILLE, o primeiro filme que me fez usar o FF do DVD em muito tempo pra ficar passando as suas imagens de forma mais rápida e acompanhar as legendas. O foda é que eu acabei de colaborar com essa coisa que eu mesmo estou reclamando ao postar esse comentário aqui no blog. Eu, hein? De qualquer maneira, ENCONTROS E DESENCONTROS é puro cinema e um dos mais belos filmes que vi do início do ano até agora. Vale muito a pena conferir.

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