quarta-feira, agosto 22, 2007

DURO DE MATAR 4.0 (Die Hard 4.0 aka Live Free or Die Hard, 2007, EUA)


Eu estava relutante em ir pro cinema neste último final de semana. O filme que eu mais estava a fim de ver de todos era O NOITE DE ESTRÉIA de John Cassavetes que estaria estreando naqueles dias no Cinema da Fundaj, caso o prédio não estivesse fechado para uma rápida reforma. Mas no domingo resolvi dar uma saída para esfriar a cabeça só com a intenção de ver um simples e eficiente filme de ação. Na tarde da sexta-feira, eu tinha assistido o ótimo CIDADE DA VIOLÊNCIA (que será comentado numa das próximas atualizações, sem falta!) e me divertido horrores com ele. Então por que não daria para me divertir com mais uma desenfreada aventura do John McLane, não é?

No filme, esse querido personagem do cinema de ação imortalizado na pele do senhor Bruce Willis - adotando mesmo a careca e em excelente forma pra idade, diga-se de passagema - enfrenta um outro tipo de terrorismo: o tecnológico. A mente por trás de todo o plano é Thomas Gabriel (Timothy Olyphant, da série DEADWOOD), um terrorista digital que junto com a sua turminha começam a causar o caos nos Estados Unidos. Ele contou com a "ajuda" de jovens hackers que agora estão sendo eliminados um a um por seus homens, liderados pelo ator, dublê e coreógrafo francês Cyril Raffaelli (13º DISTRITO, O BEIJO DO DRAGÃO) fazendo um daqueles capangas que dão até mais trabalho pro protagonista do que o vilão principal. McLane consegue salvar um dos hackers do destino fatal (Justin Long, de OLHOS FAMINTOS) e irá fazer de tudo protegê-lo, pois o cara tem capacidade de reverter um pouco o quadro só com um simples palm-top em mãos. Temos também as gatinhas Maggie Q e Mary Elizabeth Winstead no elenco para limpar as nossas vistas da macharada que reina nele. Como se eles não bastassem, Kevin Smith ainda faz uma participação especial como um hacker fã de Star Wars. Só podia...

DURO DE MATAR 4.0 parece ter sido mais feito para uma outra geração conhecer John McLane, principalmente os adolescentes fissurados em videogame, tamanha a quantidade de cenas exageradas de destruição. Como Ailton Monteiro falou na ocasião da estréia, elas só fazem o filme ser ainda mais divertido. É impossível deixar de mencionar o momento em que John McLane consegue explodir um helicóptero usando um carro. Detalhe: o carro estava no chão! hehe.

A produção apenas não é uma das melhores continuações do clássico de 1988 por conta da censura PG-13 que os produtores exigiram para fazer com que o filme tenha mais sucesso nas bilheterias. O resultado é um outro John McLane aos olhos dos fãs mais antigos da série. Ele continua aquele anti-herói cínico, sarcástico e sem a menor paciência com troços como um computador, mas McLane não solta mais um "fuck" a cada três palavras que fala e agora está parecendo mais um alienígena de tão indestrutível que ele agora é. Nem rola um mísero jatinho de sangue saindo dos corpos que McLane baleia no seu caminho. Toda aquela essência e humanidade do personagem se foi pelos ares com mais essa decisão estúpida de Hollywood. Deveriam deixar mais o PG-13 pra TRIPLO X e CARGA EXPLOSIVA, que são franquias que estão usando essa censura desde o seu início. Ao menos, McLane continua sendo aquele que mais apanha dos bandidos de todo os exemplares do cinema de ação americano.

Inferior aos dois últimos filmes de Bruce Willis (os ótimos REFÉM e 16 QUADRAS) e aos capítulos anteriores da saga de John McLane, DURO DE MATAR 4.0 pode cometer uma quase heresia com esse personagem realmente imortal, mas não deixa de ser divertidíssimo mesmo assim. Len Wiseman (dos "não vi e nem quero ver" filmes da série UNDERWORLD) até que deu conta do recado melhor do que eu imaginava.

Editado em 22/08/07 às 23:30

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