sexta-feira, julho 06, 2007

O HOSPEDEIRO (The Host, 2005, COR)


Um dos filmes especiais que fizeram o seu companheiro aqui sair do cinema em completo estado de graça. Mesmo tendo recebido uma notícia frustrante naquele domingo, não me fiz de vencido e disse a mim mesmo que a minha noite teria uma sessão de O HOSPEDEIRO, um filme aguardado por qualquer fã de cinema que se preze. A Internet frescou logo naquela hora, aí telefonei para um amigo que também gosta muito de cinema, batemos um pequeno papo e aproveitei o momento para perguntá-lo se ele tinha os horários deste filme de monstro coreano que eu queria tanto ver. A resposta foi um sim. Depois de o agradecer e com o horário certinho na cabeça, me aprontei e fui direto pro Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, a única sala de Recife que está passando o filme.

Me lembro de ter lido o Marcelo Carrard reclamando da distribuição da Pandora Filmes em seu MONDO PAURA. Será que essa maravilha de filme só tem uma cópia em circulação no país inteiro? Se isso for verdade, é uma pena. Eu não sei ainda porque ele apenas tem entrado em cartaz nos cinemas alternativos. Será que isso só acontece por ele ser uma grande homenagem ao seu subgênero que até hoje é visto com preconceito? Por ser um filme que goste e tenha respeito pelos seus personagens que agem e pensam como seres humanos? Eu não consigo engolir as tentativas de se explicar essa injustiça que eu já li na Internet. O HOSPEDEIRO merece demais uma chance no circuito comercial mesmo, porque seria muito bom ouvir a reação do pessoal acostumado com um arremedo de filme como HOMEM-ARANHA 3.

Em O HOSPEDEIRO, o espectador acompanha a inesperada história de uma família coreana nada convencional às voltas com os ataques de um girino gigante dentro de sua cidade. O monstro foi criado a partir do irresponsável despejo de substâncias tóxicas em um grande rio da Coréia, portanto, o filme também retorna com aquele tema clássico da natureza dando o troco na sociedade. Eu vibrei logo no pequeno início, onde toda a história é apresentada. Motivo: a primeira data que aparece é 09 de fevereiro de 2000, meu aniversário de 15 anos. Me senti homenageado sem ser hehe.

O pai da família é vivido pelo grande Song Kang-ho, uma figura que já pode ser notada facilmente por quem acompanha os filmes coreanos que estão sendo lançados aos poucos no Brasil. Ele está em ZONA DE RISCO de Chan-wook Park e MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, do Bong Joon-ho, mesmo diretor de O HOSPEDEIRO. Esse homem é tão monstruoso quanto a ameaça vinda do rio em seu filme. Eu já tinha ouvido falar deste cineasta quando vi o MEMÓRIAS... e o achei tão bom que fiquei criando expectativas para ver o que ele faria com um subgênero até esquecido. O coreano detonou, é claro. Contrariando outros exemplares do subgênero, o ataque do monstro acontece pouco antes dos 10 minutos iniciais da projeção. E ele aparece todo!! Outra coisa incrível é que muito da nossa atenção não se volta para o monstro em si, mas para o forte relacionamento vivido pelos membros daquela excêntrica família. O HOSPEDEIRO é diferente por causa disso e de vários outros fatores. O filme tem um drama muito eficiente, uma comicidade impagável e até satiriza com a política da própria Coréia do Sul e de um país ocidental que quer porque quer ser a polícia do mundo. Não vou dizer o nome dele, mas acho que dá para adivinhar, não é? :-)

E sabem qual é a cereja do bolo? Além de ser tão rico, bem narrado e puro cinema, O HOSPEDEIRO é muito, muito despretensioso. Acredito que seja por causa disso que ele vem conquistando mais e mais cinéfilos. O filme merece.

Notas:

1 - Esse filme lindo tem a sua detonação garantida em mais um dispensável remake americano que será realizado.

2 - O único resgate que o subgênero dos filmes com monstros gigantes estava tendo recentemente foram os filmecos dirigidos por gente do naipe de Mark L. Lester, Jim Wynorski, Fred Olen Ray, John Terlesky e Richard Pepin pra TV e lançamento direto em vídeo. Alguns divertem mesmo sendo ruins, enquanto outros são puro lixo. Mas esse é um outro assunto que irei explorar aqui nessas férias de julho. Um mês mais "light" como esse pede mais descontração de todos nós. Vai ter gente se lembrando do Erotikill e dos comentários bem-humorados que o Carlos Afonso fazia dessas tralhas. Bah, só de eu me lembrar daquela época agora, fiquei emocionado. :)

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