terça-feira, julho 24, 2007

A MANSÃO MARSTEN (Salem's Lot, 2004, EUA)


No dia de Ação de Graças, um mendigo entra em uma missão onde o padre Donald Callahan (James Cromwell) e outros voluntários estão distribuindo refeições para pessoas necessitadas como ele. No momento em que a sua vez chega e seu prato de comida é entregue, ele parte em cima do padre. Durante a briga, esse homem dá um tiro de revolver na barriga do sujeito e os dois caem da janela do local que tem uma altura considerável em cima de um carro da polícia. Ambos estão em estado grave ao serem socorridos num pronto-socorro pelos ferimentos sofridos. O mendigo é idenficado como Ben Mears (um Rob Lowe melhor do que o de costume), um escritor nova-iorquino de 37 anos. No corredor do hospital, um enfermeiro pede que esse paciente lhe diga a razão pela qual ele como um bom cristão não o deixaria pra morrer ali mesmo pelo ato que cometeu. Ben responde: Jerusalem's... Lot.

Assim começa A MANSÃO MARSTEN, um surpreendente telefilme de 180 minutos de duração que não nega fogo até o seu final. No final da noite de um sábado qualquer deste mês de julho, coloquei o DVD dele pra assistir e disse a mim mesmo que só iria ver 1h30min dele para continuar no domingo. Quando esse tempo chegou, eu tava achando aquilo tudo tão bacana que decidi ver só mais meia-horinha. Acabei vendo tudo de uma vez só. E não duvido nada que isso venha a acontecer com outras pessoas.

Feita pela TNT e Warner Bros. Television a partir do famoso livro de Stephen King, a produção tem o pouco conhecido Mikael Salomon na cadeira de diretor. Já é possível notarmos uma boa dose de inspiração de Salomon antes mesmo dos 8 primeiros minutos de duração do filme, onde alguns dos outros personagens são apresentados. Não sou um cara que costuma vibrar com técnicas, mas fiquei fã de uma tomada executada em menos de 30 segundos aos aproximados 7 minutos de exibição. O espectador acompanha grudado na cadeira a história que marcou o retorno de Ben Mears à sua cidade-natal, a pequena e calma Jerusalem's Lot. Mears volta a ela depois de tanto tempo para trabalhar num livro sobre a mansão dos Marsten, o lugar onde houve um sinistro evento na sua infância que ele nunca conseguiu esquecer.

O elenco chama a atenção. Já falamos de Lowe e Cromwell, só que temos também André Braugher, Samantha Mathis, Daniel Byrd, Donald Sutherland e Rutger Hauer. Esses dois veteraníssimos atores cujos desempenhos sempre são prazerosos de assistir fazem Richard Straker e Kurt Barlow (Rutger Hauer, que escolha feliz!!), os misteriosos parceiros de negócios que trouxeram um Mal na sua chegada a Jerusalem's Lot que fará muitas vítimas. O formato de especial pra TV ou minisérie dividida em duas partes veio bem a calhar, pois a história dá destaque a muitos personagens além do Mears. Não digo que o filme é livre de defeitos. Nem li o livro que o origina também, mas não acredito que o personagem de Sutherland seja tão carente de um melhor desenvolvimento. Ainda há uma parcela de (d)efeitos especiais e algumas soluções apressadas que prejudicam o resultado final. Mesmo com as suas falhas, A MANSÃO MARSTEN é um belo filme que eu não posso deixar de recomendar fortemente para qualquer fã do gênero ou das boas adaptações cinematográficas dos livros de Stephen King. Não é nenhum clássico, com certeza. Mas também não é todo dia que corremos o risco de passar 3 horas tão ligeiras em frente da televisão.

PS: 1- SALEM'S LOT também já teve uma outra adaptação também feita para a TV em 1979 e dirigida por Tobe Hooper. Talvez ela seja ainda mais conhecida do que esta mais recente por causa da marcante caracterização do ator Reggie Nalder como Kurt Barlow.

2 - O DVD desta versão de 2004 é ausente de extras em qualquer lugar do mundo. Uma pena.

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