sexta-feira, julho 06, 2007

HOMEM-ARANHA 3 (Spider-Man 3, 2007, EUA)


O fã de cinema estranha quando vê um filme com elenco estrelar indo parar direto nas locadoras. E ele deve ter estranhado da mesma maneira quando soube que dois dos filmes mais esperados por legiões de espectadores preferiram não receber a opinião da crítica especializada. A primeira coisa que vem à mente é a de que existe alguma coisa errada com essas produções. Um deles, HOMEM-ARANHA 3 estreiou nas salas comerciais com a reputação de ser o filme mais caro já feito até hoje. Apenas aí já temos uma certa arrogância dos executivos dos estúdios hollywoodianos para o seu próprio público, pois orçamentos milionários não garantem bons filmes. Segundo eles, o que o povo quer assistir é o Homem-Aranha pulando de prédios em prédios, enfrentando bandidos e Mary Jane vivendo um romancezinho careta com o nosso herói, não é?

Por isso, pela primeira vez em muito tempo, o diretor Sam Raimi também participou do roteiro ao lado do seu irmão Ivan com a colaboração do veterano Alvin Sargent só para todo mundo ficar feliz e botar mais dinheiro no bolso. Bom cinema de entretenimento não pode ser feito assim. Qualquer filme, por mais despretensioso que ele seja, precisa de um bom roteiro, atuações convincentes do elenco e uma mão segura na direção. HOMEM-ARANHA 3 não tem nada disso. Em seu resultado final, temos um filme fraco e de duração excessiva (mais de 133 minutos, sem os créditos finais) que fica a léguas de distância dos seus antecessores. Piorando a situação, empurraram três vilões dentro de um único filme. Assim não tem como haver um mínimo de desenvolvimento destes personagens, que precisam de um bom espaço na trama para serem eficientes. O roteiro encerra uma situação de perigo envolvendo um deles e o herói para depois de uns 40 minutos o vilão voltar a aparecer. Citando um exemplo, temos o Venom, considerado um dos favoritos de quem se considera fã dos quadrinhos que inspiraram a série. Ele sai de cena da mesma maneira que chegou.

O filme também é culpado de nos fazer perder tempo com cenas que poderiam muito bem ter sido excluídas na hora da edição, como a cena passada numa casa noturna de Jazz & Blues e os muitos dramas da Mary Jane. Elas só nos fazem ter antipatia pelos protagonistas ao invés de se importar com eles. A Gwen Stacy (sim... ainda inventaram de colocar ela no filme) também está completamente desperdiçada. Tem ainda um confronto final que é ridículo de tão exagerado. No geral, HOMEM-ARANHA 3 sofre mesmo é pela visível falta de empenho da maioria dos envolvidos em fazer algo realmente bom, sem pensar em gastar logo uma boa quantia das grandes somas que ganharam para participar do filme. A série também se sai prejudicada por perder muito do encanto que ela vinha tendo nos cinéfilos, incluindo este que vos escreveu.

PS: Texto originalmente publicado no concurso relâmpago SEJA UM CRÍTICO da coluna CÂMERA CLARA do caderno Programa da Folha de Pernambuco, onde os leitores participantes poderiam escrever sobre HOMEM-ARANHA 3 e PIRATAS DO CARIBE 3. Ele sofreu um aumento com bem mais comentários furiosos sobre esse filmeco só para virar um post no blog.

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