terça-feira, julho 17, 2007

DRÁCULA 2: A ASCENSÃO e DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL

Patrick Lussier e Joel Soisson, responsáveis pelo lamentável DRÁCULA 2000, entraram num acordo com a Dimension Films para filmarem duas continuações de menor orçamento deste filme que seriam lançadas no mercado doméstico. Ambas foram rodadas simultaneamente na Romênia, num esquema de produção já praticado faziam séculos pelo excelentíssimo Sr. Roger Corman. Para surpresa de quem estava detonando elas antes mesmo de saírem (eu incluso), elas acabam com o primeiro filme e são divertidas. Como assisti uma e revi outra delas esses tempos, aqui estou eu aproveitando a onda de filmes de vampiros deixada na última atualização.


Uma das coisas mais comuns de serem notadas pelas pessoas nas continuações baratas é a ausência de vários personagens (e atores, logicamente) do filme original em seus roteiros. Tudo faz parte da redução de custos da maioria destes filmes feitos para lançamento direto em vídeo. Filmar em países como Bulgária e Romênia também, pois eles contam com profissionais de qualidade no ramo que cobram mais barato pelos seus serviços do que os residentes nos Estados Unidos. Ainda tem o Canadá - onde muitas produções norte-americanas para cinema e TV (citando exemplos no gênero... o ótimo TERRA DOS MORTOS do tio Romero e a série MASTERS OF HORROR) são feitas - com leis de incentivo para ajudar projetos que escolhem o país para ser usado como cenário. Lembra-se de SEXTA-FEIRA 13: PARTE 8? A Nova Iorque que aparece na conclusão do filme é Vancouver.

Como foi dito antes, DRÁCULA 2 e 3 foram feitos como um filme único de aproximadamente 3 horas de duração. Então o que o expectador vai ver aqui são dois filmes com uma única história e personagens, mas de estilos e opções diferentes. Isso foi algo neste projeto que me surpreendeu positivamente. É por isso que tem gente que curte mais um deles do que o outro ou que achou um intragável e se divertiu mais com o anterior / o próximo. Eu gostei de conhecer os dois, apesar dos títulos não serem nada bons. Eles diminuem as clássicas versões que foram feitas do imortal livro de Bram Stoker. Sei que ficaria ridículo, porém creio que um DRÁCULA 2000 3 soa mais honesto do que um DRÁCULA 3.


DRÁCULA 2 é o mais simplório dos dois filmes, embora não deixe de divertir e de ser uma pequena surpresa. A primeira coisa que salta aos olhos é a diferença da atmosfera deste para o do DRÁCULA 2000 logo na abertura. Ela contém a memorável apresentação do padre Uffizi, vivido por Jason Scott Lee (de DRAGÃO: A HISTÓRIA DE BRUCE LEE). Terminada essa cena, somos apresentados aos outros personagens que cometerão uma senhora burrada para fazer Uffizi entrar em ação. Trata-se de um pequeno grupo de universitários que é reunido por dois deles chamados Luke (Jason London) e Elizabeth (Diane Neal, uma tremenda gata). Os jovens trabalham num necrotério e encontraram um misterioso corpo carbonizado que eles suspeitam ser de um vampiro. Quem viu DRÁCULA 2000 sabe que o vampirão morre desta maneira no seu final. Quem não perdeu tempo vendo ele também não se sente perdido, já que vemos apenas um cadáver esquisito entrando na trama.

Como Luke recebeu a ligação anônima de um homem oferecendo a quantia de $ 30 milhões, a dupla chama Lowell (Craig Sheffer, de HELLRAISER: INFERNO) - um professor deficiente que é namorado de Elizabeth - e mais dois amigos da universidade para ajudarem eles e assim dividirem a bolada. Todos vão para uma casa no meio do nada e inventam de colocar o cadáver numa banheira cheia de sangue. Aí já viu, né? Depois que um dos atores do filme tem sua participação literalmente eliminada, quem aparece é Eric (John Light), o representante do interessado no Drácula renascido (interpretado por Stephen Billington, bem melhor que o Gerard Butler). Enquanto a merda começa a bater no ventilador, Uffizi fica cada vez mais próximo de encontrar o grupo. O final desta história é belo e sombrio. Ah se eu tivesse visto essa conclusão na época do lançamento... do jeito que sou, eu simplesmente teria vibrado mais do que vibrei. Só não fiz isso porque sabia que a história seria continuada dali, mas esse final também funciona como um bom desfecho pro filme. E como funciona.


Agora é a vez de falarmos do DRÁCULA 3. Esse daqui é fácil, fácil, um dos meus diretos pra vídeo favoritos. Diferente do DRÁCULA 2, aqui vemos a Romênia em toda a sua glória. Para vocês terem uma idéia do visual, saibam que o filme foi realmente rodado na Transilvânia. Se o diretor de fotografia Doug Milsome fez um trabalho legal no anterior, neste o cara faz um estrago considerável. O roteiro também é superior. Ele segue os dois sobreviventes do filme anterior indo para a Transilvânia com o propósito de resgatar Elizabeth das garras de Drácula (vivido desta vez pelo nosso querido Rutger Hauer). Entram em cena outros personagens como uma jornalista de TV que está cobrindo a ação de um grupo rebelde e uma gangue que seqüestra pessoas pobres da região para vendê-las ao Drácula e suas crianças da noite.

Quem faz uma rápida aparição nos dois filmes é outro dos meus atores favoritos: Roy Scheider. Pena que seu tempo em cena como o Cardinal Siqueros neles se resume a uns 2 minutos dele em cada filme. Mas isso não faz com que os distribuidores deixem de colocar seu nome e rosto nas capinhas dos DVD's para chamar a atenção. Se bem que hoje são poucas as pessoas que conhecem e gostam de Roy Scheider. Agora é inegável que a presença dele dá um charme e ajuda a subir o nível dos filmes.

É fácil se desapontar com ambos os filmes caso busque neles bem mais do que uma boa diversão. Antes de assisti-los, por favor, deixe o tradicionalismo de lado. Mesmo assim, a mitologia deste personagem tão amado, querido e odiado na mesma intensidade que é Drácula tem mais respeito aqui. Também achei a parte técnica deles bem bacana para um "direct-to-video" assumido. A cinematografia de Douglas Milsome, os efeitos de Gary Tunnicliffe (maquiagem) e Jamison Goei (computação gráfica) são notáveis considerando o orçamento e o tempo que eles tiveram. De qualquer maneira, os dois dão um banho em coisas como o próprio DRÁCULA 2000, BLADE 3 e é muito melhor até ver eles em seguida do que encarar uma reprise de qualquer um dos três SENHOR DOS ANÉIS.

Sobre os DVD's e curiosidades:

- DRÁCULA 2: A ASCENSÃO é distribuído pela Europa Filmes e está com imagem em FULL. Surpreendentemente, ele contém extras como cenas deletadas, trailer original e vídeos de alguns dos atores sendo testados para seus papéis. Mas o que realmente importa neles é a faixa de comentários em áudio (com legendas em português disponíveis) com o diretor e co-roteirista Patrick Lussier, o produtor e co-roteirista Joel Soisson e o responsável por efeitos de maquiagem Gary Tunnicliffe, que também foi diretor de segunda unidade nos dois filmes. Achei os comentários bem divertidos e informativos.

- Já o DRÁCULA 3: O LEGADO FINAL é distribuído pela Videofilmes e está com imagem em FULL. Zero de extras, como todos os discos desta distribuidora.

- Me lembrei de uma coisa que o Carlos Afonso disse em sua resenha sobre o DRÁCULA 3 para o Erotikill quando escutei os comentários no disco do 2. Ele disse que o roteiro parecia fazer referência ao clássico APOCALYPSE NOW. Joel Soisson confirmou isso perto do final da faixa de áudio. Com isso em mente, não pude deixar de reparar que a estrutura dele é mesmo um pouco semelhante nesta revisão. Os personagens passam por toda uma jornada repleta de situações esquisitas para finalmente se encontrarem com aquele ser que todo mundo estava querendo demais ver depois de tanto ouvir sobre ele. Faz sentido.

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