terça-feira, junho 12, 2007

ZODÍACO (Zodiac, 2007, EUA)

A semana passada foi bem puxada, não conseguimos terminar o programa de TV e participei de vários outros trabalhos para a faculdade. Sinceramente, esse é o final de período mais trabalhoso que eu tive até hoje. Mesmo assim, deu tempo para conhecer pessoalmente o amigo César Almeida, do blog DOLLARI ROSSO, e a sua carismática esposa Denise. César veio conhecer o Recife a convite do seu irmão que mora aqui e aproveitamos a ocasião para nos vermos pela primeira vez e batermos um papo. Todos os dois são gente finíssima. Quero muito vê-los de novo antes que eles partam de volta para Porto Alegre. Como ainda não consegui escrever sobre minha primeira experiência dentro e fora de um estúdio de TV, falarei de ZODÍACO e postarei um rápido texto sobre UZUMAKI que escrevi neste final de semana durante um tempinho livre.

A sessão das 15h20min deste último sábado no Multiplex do Shopping Recife estava lotada e isso é muito bom de se ver em um filme que não conseguiu um terço da propaganda que 300 teve. Vai ver ele também foi ajudado pelas poucas estréias interessantes do final de semana. De todos os filmes do David Fincher até este que irei comentar a seguir, só tinha gostado mais mesmo de VIDAS EM JOGO. Sou um dos poucos que gostam de verdade do ALIEN 3 e valorizo mais SEVEN e CLUBE DA LUTA mais pelos padrões que eles quebraram do que pelos filmes que são. Só QUARTO DO PÂNICO que nada mais é do que uma boa diversão para o espectador e para o próprio Fincher, que visivelmente adorou ter aquela experiência. No geral, posso dizer que nunca me decepcionei com este diretor e ZODÍACO não é exceção.


O filme retrata um caso verídico que ficou marcado na História dos Estados Unidos e nas mentes dos seus populares nos anos 70. Baseado no livro de Robert Graysmith, esse longa-metragem tem um elenco impecável com Jake Gyllenhall encarnando o próprio autor, que era cartunista do San Francisco Chronicles quando a redação recebe a primeira de várias cartas do assassino do Zodíaco. O conteúdo chama de imediato a atenção de muitos dos presentes, incluindo o jornalista boêmio Paul Avery (Robert Downey Jr.). Graysmith revela ser a pessoa que mais está atenta ao caso mesmo sem participar do jornal como repórter e Avery - que não é nada besta - começa a ficar mais próximo do colega de redação para receber a ajuda dele nas suas reportagens. Enquanto isso, os inspetores David Toschi (Mark Ruffalo) e William Armstrong (Anthony Edwards) da polícia de São Francisco começam a investigar o assassino após um inesperado homicídio ocorrido dentro de um típico bairro de classe média. Chloe Sevigny (uma moça que eu e o Daniel "The Walrus" não conseguimos imaginar mais sem a boca no "instrumento" hehe), Brian Cox, Dermot Mulroney, Elias Koteas, Donal Logue e Philip Baker Hall interpretam personagens periféricos, mas de fundamental importância na história. Tom Kopache é apenas uma presença decorativa na redação do SF Chronicles (não me lembro dele dizer uma palavra... o que é uma pena se isso for verdade) e até o mala do James LeGros está convincente em sua participação especial.

Nenhum dos maneirismos visuais que Fincher detonava em seus filmes anteriores está presente aqui. A narrativa de ZODÍACO é bem à moda antiga e moderna ao mesmo tempo com ótimas escolhas do diretor, como a montagem com cartas do famoso assassino e manchetes de jornais ilustrando a passagem do tempo enquanto vemos os personagens em ação. Digo sem qualquer receio que ZODÍACO é um dos mais fiéis relatos cinematográficos de um caso policial já feitos lembrando bastante TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, que vem sendo mais citado pelos cinéfilos recentemente durante os comentários sobre o filme.

Ele lembra (e muito) ainda o excelente MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO, que vem da Coréia e também fala de homicídios cometidos por um assassino em série que chocaram um país. ZODÍACO procura focar o quanto um caso pode mexer com a vida dos seus envolvidos, ao invés de explorar exageradamente a execução dos crimes. O realismo da produção é o seu maior ponto positivo. Já ouvi comentários dizendo que o filme era monótono, confuso e difícil. Sim, e o caso não foi exatamente assim? Toda aquela frustração constante que os personagens sentem a cada pista falsa que seguem e a cada erro cometido é sentida de imediato pelo espectador. E a esperta conclusão desagradará muitas pessoas que esperavam um final conforme as convenções do subgênero. Eu achei demais! ZODÍACO é fácil, fácil, o melhor filme do David Fincher e isso já pode ser o bastante para ele garantir lugar em várias listas dos melhores do ano.

Curiosidades:

Philip Baker Hall pode ser visto em mais uma das versões cinematográficas que relatam os crimes do assassino do Zodíaco. O filme também é chamado ZODÍACO aqui no Brasil e ele foi lançado em DVD pela Imagem Filmes. Já Anthony Edwards tem um dos seus melhores momentos no ótimo telefilme À SANGUE FRIO, que é baseado no clássico livro de Truman Capote que fala de um crime que também chocou os Estados Unidos.

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