terça-feira, junho 12, 2007

UZUMAKI (Jap, 2000)


Original, bizarro, troncho e divertido ao mesmo tempo. Certamente não é todo dia em que a gente vê um filme assim. Você pode não gostar de UZUMAKI, mas provavelmente acabará concordando que o filme é uma experiência memorável. A beleza imagética da produção agrada até os detratores. Traduzindo para o português, o título original significa ESPIRAL. Quem diria que espirais seriam retratadas como algo de ameaçador em qualquer meio de expressão algum dia? Isso que eu chamo de imaginação.

Baseado em uma famosa HQ, esse exemplar do moderno cinema oriental de terror consegue se esquivar dos clichês tradicionais que tanto infestam os outros filmes, como aqueles fantasmas femininos cabeludos que viraram moda depois de THE RING. O filme inicia com um close parcial do rosto de uma garota que irá nos contar uma história acontecida na sua cidade natal. A seguir, temos outro close, desta vez na expressão facial de um rapaz morto e a câmera vai subindo e girando como se fosse uma espiral até vermos várias pessoas olhando esse mesmo cadáver das escadarias de um local. Me lembro do efeito que essa cena teve em mim quando testei o vídeo no meu DVD. Foi o bastante para deixar o filme guardado um tempinho hehehehe. Quando terminei de assisti-lo, vi que podia ter visto ele antes porque a curtição seria a mesma.


Depois dos dizeres iniciais, o espectador conhece a estranha protagonista quando ela repara que o estranho pai do seu melhor amigo (que também é estranho) está gravando um caracol numa câmera de vídeo. A garota não consegue puxar uma conversa, pois o homem está vidrado no animal. A partir do momento em que ela se encontra com o rapaz, o filme passa a se desenvolver e nós percebemos que o pai está cada vez mais obcecado por espirais de todos os tipos. Não demora muito para que essa insana obsessão vá tomando conta aos poucos dos moradores da pequena cidade (tinha de ser!) onde a moça reside.

É tudo muito absurdo e esquisito em UZUMAKI. O diretor Higuchinsky (até o nome do cara é estranho!!) fez um bom trabalho com um material que poucos saberiam como lidar. Não é qualquer um que encara um roteiro alucinógeno e surrealista como esse e faz o resultado final lembrar os bons tempos dos filmes de Lucio Fulci e Michele Soavi. Ao invés de respostas, mais e mais perguntas são jogadas nas nossas caras. No geral, o filme pode até ser definido rapidamente como uma coletânea aterradora de imagens inacreditáveis de tão insólitas, fascinantes e criativas acompanhada por uma trilha sonora bacana e atuações eficientes. Há ainda uma divertida referência ao clássico O EXORCISTA perto da conclusão.

Há quem diga que filmes no estilo de UZUMAKI são perda de tempo. VÁ E VEJA não pensa assim. Ver um filminho dodói do juízo de vez em quando sempre faz bem.

Agradecimentos à minha amiga Rosana Dias pela cópia.

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