quarta-feira, maio 16, 2007

Lobisomens de motoca e a sucessora do Dr. Frankenstein: quase 3 horas de pura diversão

O lado bom da gente estar um pouco mais desocupado é poder gastar um turno do dia com dois ou mais filmes seguidos. E quando a nossa cabeça está mais relaxada, é preciso aproveitarmos ao máximo esse momento de descontração. Foi num desses dias de maio que fiz uma sessão dupla com LOBISOMENS SOBRE RODAS (Wherewolves on Wheels, 71) e LADY FRANKENSTEIN (La Figlia di Frankenstein, 71), que coincidentemente foram feitos no mesmo ano. O primeiro é exatamente a junção dos filmes de motoqueiros com um monstro clássico do cinema de terror e o segundo é uma produção italiana que se revela uma interessante variação da mais do que conhecida história de Frankenstein.

Peguei minha pipoquinha, uma quantidade satisfatória de Coca-Cola (e olhe que estou tentando fazer um regime rs), deixei os DVD's na mesa e coloquei um no player. Acabei me divertindo que nem os antigos pirralhos de 14 anos faziam quando voltaram pra casa com duas fitas velhíssimas alugadas da locadora para arriscar a vida útil do cabeçote do vídeo-cassete.


Iniciei logo com o que eu achava que seria mais esculhambado, LOBISOMENS SOBRE RODAS. Desta vez, tive o privilégio de assistir a esse exemplar dos filmes de motoqueiros dos anos 70 em uma excelente cópia restaurada com imagem em widescreen e som legal. A qualidade da imagem é tamanha que acabou quebrando um pouco o clima "drive-in" ou "grindhouse" da sessão. Quando os créditos iniciais (onde o nome do filme não aparece! hehehe) começaram a rolar com os "Devil's Advocates" mandando ver na estrada eu estava crente de que assistia a um registro da passagem de uma gangue de motoqueiros por uma cidade que poderia estar em qualquer documentário. Tirando a figura comentando sobre o tamanho do pênis do seu namorado para a amiga, o filme já ganha pontos pela autenticidade desta única cena.

As coisas começam a dar mal para os nossos camaradas quando eles inventam de farrear num misterioso mosteiro e acabam sendo abordados pelos monges visivelmente nada bem intencionados que residem lá. A gangue se alimenta do pão e de um líquido vermelho oferecido pelos homens que - numa amostra do talento do diretor Michel Levesque - nunca tem os seus rostos revelados pela câmera. Assim que eles conseguem sair do local, cada um dos membros da gangue passam a ser assassinados misteriosamente.


O filme tem um fiapo de roteiro e não duvido nada que muitas coisas tenham sido improvisadas na filmagem. Devem ter rolado litros e mais litros de ácido pelas mãos de cada membro da equipe. Querem uma prova? O filme contém uma seqüência inteira passada em uma paisagem desértica vinda do mais absoluto nada!!! LOBISOMENS SOBRE RODAS pode ser considerado um pouco decepcionante por causa de uma coisa: o título. Qualquer pessoa que vai assistir a um filme chamado LOBISOMENS SOBRE RODAS pensa que ele é um filme de terror com algo dos filmes de motoqueiros. Mas ele é exatamente o inverso. Os lobisomens mesmo apenas dão as caras perto dos 10 minutos finais onde em pouco tempo apreciamos alguns pequenos momentos de notável inspiração. Bah, não vou me segurar, por favor só leia se quiser continuar com este parágrafo, mas não se preocupe que não irei soltar SPOILERS. Perto da conclusão, um motoqueiro queima a bandeira dos Estados Unidos enrolada num pedaço de madeira para se defender dos ataques das criaturas e há uma perseguição dos sobreviventes munidos de tochas a um lobisomem que está fugindo de moto, mais ou menos como os revoltados moradores das pequenas vilas sempre faziam nos clássicos filmes da Universal. Pretendo rever o filme qualquer dia desses com os comentários em áudio do diretor e roteirista Michel Levesque acompanhado do co-roteirista David M. Kaufman. Eles são moderados por David Gregory (da Blue Underground), que é bem capaz de tê-los deixado bem ocupados falando.

Ainda aproveitando o DVD de LOBISOMENS... vi os trailers do próprio e o de THE LOSERS que estão na parte de extras para aumentar o clima "grindhouse" que reinava no quarto. Só sei que eu disse a mim mesmo de que precisava urgentemente assistir a algum filme do do Jack Starrett com William Smith, que é o caso de THE LOSERS. No filme, uma gangue de motoqueiros é recrutada pelo exército americano pra ir ao Vietnã!! PQP! Genial!!!


Depois foi a vez de LADY FRANKENSTEIN, lançado aqui no Brasil em VHS como A MULHER DE FRANKENSTEIN. Um título dos mais aproveitadores só por causa da presença de Rosalba Neri, uma atriz de beleza estonteante nos anos 60 e 70 que apareceu em muitos exploitations e filmes de terror europeus no período, inclusive alguns títulos do nosso querido Jess Franco. Ela interpreta a filha do Dr. Frankenstein, vivido aqui pelo veterano Joseph Cotten. Após protagonizar BARON BLOOD de Mario Bava, Cotten fez participações em vários filmes baratos na Itália, incluindo o crássico A ILHA DOS HOMENS PEIXE e até mesmo um dos "polizieschi" de Umberto Lenzi para faturar uma grana rápida antes de se aposentar. A simples presença de um ator como Cotten beneficia e dar um ar respeitável a qualquer filme que seja, coisa que os produtores italianos deveriam saber muito bem.

Como falei no início do texto de hoje, LADY FRANKENSTEIN é uma nova visão da conhecidíssima história de Frankenstein. Mel Welles, mais conhecido pela sua atuação no papel de Gravis Mushnik na versão original de A PEQUENA LOJA DOS HORRORES do mestre Roger Corman, é o responsável pela direção do filme e Paul Muller, Herbert Fux e Mickey Hargitay também fazem parte do elenco. Essas três figuras são muito bem conhecidas do fã daquele tão bom cinema popular europeu que marcou época. Hargitay é mais lembrado por algumas pessoas por ter se casado com Jayne Mansfield, só que há outras que o lembram mais de BLOODY PIT OF HORROR e DELIRIUM, dois filmes baratos que tem fãs incondicionais e detratores na mesma proporção.


Não quero entregar muito o jogo a respeito de LADY FRANKENSTEIN. Grande parte dos comentários na Internet revelam algo sobre a participação de Joseph Cotten que acho prejudicial a quem irá assistir a ele pela primeira vez. A minha surpresa seria maior se eu não tivesse lido eles. Vamos dizer que o roteiro contém uma virada e a partir daí ele é dominado pela personagem de Rosalba Neri, que usa do seu corpo e da sedução para conseguir o que quer. Aí é que está a inovação dele, temos aqui talvez a primeira cientista maluca do gênero. O filme poderia ser melhor e não tão previsível, mas conseguiu me divertir bem.

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