terça-feira, abril 17, 2007

Atores famosos em suspenses "direct-to-video"


88 MINUTOS (88 Minutes, 2007, EUA)

Dinheiro. Esse deve ser o único motivo pelo qual o homem que encarnou o criminoso latino mais FDP e querido de toda a história do cinema tope fazer um filminho tão medíocre e genérico como esse 88 MINUTOS. E Jon Avnet também deveria estar precisando de dinheiro para voltar a dirigir 8 anos depois (!!!!) da sua última incursão atrás das câmeras, JUSTIÇA VERMELHA. Não me lembro de nada deste filme com Richard Gere, vai ver ele é tão descartável quanto esse mais recente.

Nem estou a fim de falar maiores detalhes sobre a trama. Basta vocês saberem o seguinte: Saca o Super Cine? Pegue um filminho daqueles que costumam passar por lá com roteiros previsíveis e sem a menor imaginação recheados dos clichês mais batidos que já foram usados, adicionem um diretor que fez um filme promissor e depois virou pau mandado da indústria e um elenco coadjuvante com alguns poucos (bote poucos nisso, só dois!) atores interessantes e Al Pacino como protagonista. Pronto, tens aí mais uma super-produção da Millennium Films / Nu Image pronta para ser lançada. Já repararam que esses caras só fazem bosta com gente famosa? Apenas no ano passado, tivemos EDISON e O SACRIFÍCIO nos cinemas! Ainda bem que isso daqui foi direto para as prateleiras das locadoras brasileiras. Tenho é pena de quem irá ver 88 MINUTOS nas salas escuras do exterior esperando mais um bom filme com Al Pacino. Se tem uma coisa boa nele é ver Pacino presente na grande maioria das suas cenas.


CRIMES EM SÉRIE (American Crime, 2004, EUA)

Essa produção independente filmada em digital pode não ser nada imperdível, mas também não é nenhum lixão como muitos tem comentado pela Internet. Fiquei até feliz de não ter lido o caro Renato Doho detonando ele antes no seu blog e ficar com o pé atrás na hora de pegá-lo. Assim como o colega blogueiro, também peguei o filme por causa de Annabella Sciorra e Rachael Leigh Cook hehehe. De brinde, temos Cary Elwes, um ator que acho bem irregular. Felizmente, aqui o cara consegue melhorar o resultado final atuando como um apresentador de TV britânico de maneira propositalmente caricatural. Outra coisa boa foi eu não ter gasto nenhum mísero centavo para assistir ele, muitas vezes aquele dinheirinho gasto na locação pesa no julgamento de qualquer filminho que seja. Bom... as minhas expectativas estavam lá embaixo e eu não queria saber de mais nada enquanto o assistia a não ser gastar um tempinho, daí o filme funcionou que foi uma beleza para mim.

Os créditos de abertura foram bem bolados, coisa rara de se ver em um DTV. O espectador acompanha os nomes do elenco e realizadores num vídeo cassete em funcionamento. O filme fala sobre três pessoas (Sciorra, Cook e Kip Pardue) de uma equipe de reportagem de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos que encontram uma VHS revelando alguém seguindo uma dançarina exótica desaparecida após descobrirem o corpo da moça. No fim da fita, outra surpresa: imagens de outra mulher sendo seguida da mesma maneira e assassinada depois. Trata-se de um assassinato ainda não investigado pela polícia, o que os leva a acreditarem que essa é a chance das suas carreiras. O porém é que uma dessas três pessoas também acaba sumindo sem deixar vestígios e o caso termina chamando a atenção de Albert Bodine (Elwes, quase irreconhecível e detonando no sotaque carregado!), um apresentador de um programa de TV britânico estilo Linha Direta que tem sérios problemas de personalidade e profissionalismo.

O maior problema de CRIMES EM SÉRIE é ele não se decidir o que quer ser, uma sátira ou um "thriller" já que em muitos momentos ele se leva demais a sério e em outros não. Para complicar, o espectador também fica confuso a partir da entrada de Bodine na trama principal. Como ela é apresentada no formato do programa do apresentador, não dá pra não ficar se questionando se aquilo tudo é encenação para o programa dele ou está acontecendo mesmo aos personagens. Depois de um tempo é que tudo fica esclarecido, portanto podemos culpar a direção e o roteiro sem perdão. O filme simplesmente não tem foco e é muito prejudicado por isso.

Acho que vale conferir CRIMES EM SÉRIE numa tarde preguiçosa de domingo já que ele tem os seus atrativos e alguma parcela de interesse e originalidade, coisa que o diferencia de muitos filmes genéricos do estilo que são lançados a torto e a direito nas prateleiras. Como sou estudante de Radialismo & TV, curti a tiração de sarro com aquele tipo de programa televisivo usando as tradicionais falas clichês, musiquinhas toscas de fundo e tudo que ele tem direito, além de um impagável Cary Elwes o apresentando. Também gostei do final, que despertou fúria em muitos dos detratores do filme.

Nenhum comentário: