terça-feira, fevereiro 06, 2007

APOCALYPTO (2006, EUA)


O último fim de semana foi muito legal, apesar de algumas coisinhas que continuam teimando em me deixar um pouco chateado por dentro. São pequenas coisas mesmo, só que não irei me sentir completamente bem até o dia em que todas elas estejam resolvidas. Bem... vamos deixar esse tipo de papo de lado que estou voltando às atividades com força total depois de uma pequena diminuição no fluxo de atualizações por causa das férias que ninguém é de ferro. Usei bem mais o tempo livre para fazer as minhas coisinhas e assistir vários filmes, sinal de que não faltarão cartas na manga para serem lançadas por aqui.

Tive o prazer de compartilhar a experiência de assistir APOCALYPTO neste domingo em companhia de pessoas que realmente gostam de ver um bom filme e bater aquele papo legal depois da sessão. Antes mesmo de subirmos as escadas rolantes para entrar na filinha que já estava começando a se formar, fui agraciado com uma cópia de O HOMEM DUPLO (A Scanner Darkly, 2006), filme do Richard Linklater baseado em Phillip K. Dick que tenho vontade de ver desde que a sua produção foi anunciada! Vou ver se ele entra em cartaz ainda este mês, como estava sendo prometido, antes de assisti-lo na tela pequena. Quando a sessão começou, já vi que APOCALYPTO me deixaria com um sorriso de satisfação daqueles.... se bem que eu sorrio por causa de qualquer besteira hehe. Só aquela caçada à anta do início com menos de 5 minutos de duração paga um terço do ingresso. O restante do filme compensa ainda mais a graninha que foi gasta.

Com APOCALYPTO, já podemos dizer que Mel Gibson tem uma obra-prima na sua curta filmografia de diretor. O poder de síntese que o filme possui é impressionante. No inteligente roteiro co-escrito pelo próprio Gibson, a produção é muito bem sucedida ao contar toda a história de uma civilização utilizando apenas alguns dias, ao contrário da maioria das produções do estilo que fazem isso com meses e anos. O espectador acompanha um pouco da jornada diária do protagonista, um guerreiro chamado Pata de Jaguar (Rudy Youngblood, num desempenho mais do que satisfatório para uma estréia nos cinemas) com o seu filho e a sua esposa que está grávida. Tudo muda quando a sua aldeia é invadida pelos Maias que acabam eliminando sumariamente grande parte dos habitantes do local e ele é levado junto com os sobreviventes do massacre para a cidade deles onde terão dois destinos. Alguns homens e todas as mulheres serão vendidos como escravos e os outros que restaram deverão ser sacrificados à força para satisfazer os deuses que os habitantes do local veneram. Mas Pata de Jaguar fará de tudo para rever a sua família que se escapou do massacre e se escondeu em uma caverna.

A beleza imagética de APOCALYPTO acaba gerando um memorável contraste com a brutalidade e grosseria que está presente na maioria dos momentos da trama. Não é para menos que soltei um “PQP! APOCALYPTO é o CONQUISTA SANGRENTA dos anos 2000!” como mensagem no tópico dele na comunidade do orkut do site Cinemascópio. Os companheiros da blogosfera falaram que AMARGO PESADELO e RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR são algumas das influências de Gibson, mas elas só são notadas por quem é mesmo fã dos filmes. Chegou a minha vez hehe. Achei “Mad Mel” tão casca grossa na condução do filme que senti a presença espiritual de Mark L. Lester e Michael Winner, dois mestres absolutos da grosseria cinematográfica. Falando no Winner, digo também que Charles Bronson ficaria orgulhoso com aquele belo confronto final na floresta se ainda estivesse entre nós.

Quem avisa, amigo é. Vão logo correndo assistir esse filmaço na tela grande que é como ele precisa ser visto, pois a fotografia (em digital, para o horror dos conservadores!) e a direção de arte também impressionam pelo nível absurdo de qualidade que elas possuem. Se você que está me lendo agora não sabe de absolutamente nada sobre o período histórico, pode assistir o filme sem medo que dá para entender tudo. Não liguem para esse bando de críticos carolas que estão reclamando da violência "chocante" da produção. Ela não é gratuita em momento algum e se mostra perfeitamente adequada ao que o filme pede. A já famosa seqüência dos sacrifícios humanos é algo simplesmente lindo, lindo, lindo! Resumindo, APOCALYPTO consegue ser uma aula de História (mesmo que a fidelidade não seja o forte do filme...) e de Cinema ao mesmo tempo e ponto final. Tomara que Mel Gibson nos dê todo ano um filme tão bom quanto este, nem que ele tenha de bater a cara num poste por causa de uma bebedeira para ter outra idéia bacana.

PS: Matheus Trunk nos comunicou de que a gloriosa ZINGU! em sua quinta edição já está no ar para a alegria dos verdadeiros cinéfilos e para a infelicidade dos invejosos de plantão. Como é de costume, me vejo achando uma edição melhor do que a outra. Toda santa vez acontece isso. Visite, leia com carinho e seja feliz. Link: www.revistazingu.blogspot.com

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