quarta-feira, janeiro 24, 2007

SHA PO LANG (Saat Po Long aka SPL, 2005, HK)


Como está evidente em todos os calendários do mundo, hoje é uma quarta-feira que também é dia 24. Então me sinto na obrigação de iniciar as atividades do blog essa semana falando de um verdadeiro filme de macho. Vários colegas blogueiros de credibilidade como Bakemon, Heraclito Maia, Leandro Caraça e Takeo Maruyama (acho que errei rs) já tinham comentado muito bem sobre esse SPL. E eles estavam absolutamente certos. Meus caros, se vocês realmente curtem cinema de ação / policial podem ir na locadora mais próxima e alugar COMANDO FINAL (o infeliz título dado a ele pela Imagem Filmes quando sua equipe consultou o "Hiper-Mega-Ultra Generic Title Generator versão 2.0 em português", fazer o que?) sem o menor receio de ser feliz. O filme é foda!

A trama inicia com o violento chefe do crime Wong Po (o lendário Sammo Hung) sendo liberado da cadeia pela falta de provas contra ele. Detalhe: a principal testemunha de acusação foi assassinada por Jack dentro do carro da polícia, onde o detetive Chung (Simon Yam) também se encontrava. Recuperado dos ferimentos e prestes a se aposentar, Chung inicia com seus homens uma obsessiva caçada por qualquer evidência que finalmente coloque Po atrás das grades, nem que isso signifique a necessidade de alterar a integridade da mesma. Mas quem não se mostra muito disposto a ajudar Chung e seus homens nesse sentido é o inspetor Ma (Donnie Yen) que foi designado para controlar a unidade após a aposentadoria do detetive.


SPL é bem enxuto e vai direto ao assunto, sem enrolações. O espaço que o diretor Wilson Yip destina ao drama particular de alguns personagens, frisando a questão da paternidade, pode ser limitado mas é muito bem utilizado. Talvez seja por isso que achei que Po deveria ser um pouco mais explorado, afinal trata-se de Sammo Hung fazendo um vilão! Mesmo cinquentão, ele simplesmente detona no filme e não faz feio no já antológico confronto entre ele e Donnie Yen. Além de atuar, esse último ainda foi responsável pela coreografia das cenas de luta e realizou um belo trabalho. Todas elas não são longas, e sim rápidas e brutais. Outra luta bem comentada e tão boa quanto a citada ocorre entre Yen e Jackie Wu - que faz um sanguinário assassino contratado pelo Po - num beco. Também gostei de todos os três atores que fazem os parceiros do detetive Chung. Já o meu ator favorito no filme é Simon Yam, o único dos três protagonistas que não se destaca pelo conhecimento de artes marciais. Se não fosse por ele, SPL talvez perderia grande parte do impacto que transmite ao espectador em sua trágica conclusão.

Muitos consideram esse filme como a volta do inesquecível cinema de ação feito em Hong Kong nos anos 80 e 90. Pessoalmente, achei essa afirmação um pouquinho exagerada enquanto o assistia ontem. Ele está mais para que seja o marco inicial desta volta. Tomara mesmo que o merecidíssimo sucesso de SPL influencie outras produções posteriores no mesmo molde e com qualidade semelhante, caso não sejam superiores. A junção de cinema policial com o cinema de artes marciais é um achado. Estranhei um pouco quando a porrada começou a comer, mas depois fiquei bem satisfeito. Acho que esse foi o primeiro filme dos anos 2000 (senão o primeiro de todos mesmo) que conseguiu unir de maneira muito bem sucedida e feliz os dois gêneros.

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