terça-feira, janeiro 09, 2007

EXPRESSO DO HORROR (Horror Express, 1973, ESP/ING)


O primeiro filme a ser resenhado por aqui em 2007 tem que ser realmente especial. Acabei escolhendo esta pérola das madrugadas televisivas que nunca tive a sorte de ver quando pivete, que é o caso de muita gente. Vi uma fita VHS de EXPRESSO DO HORROR numa locadora de Gravatá (cidade do interior de PE) durante uma temporada de férias. Eu tinha uns 13 anos e acabei levando O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA no lugar dele só por causa do título. Pense num esporro que levei da minha mãe por tê-lo alugado hehehe. Daí em diante, minha cabeçinha viu que aquilo dali é que era cinema de terror de verdade e passei a caçar revistas como Horror Show e guias de vídeo diversos com o objetivo de me informar mais sobre o gênero. Pronto, aliado as sessões da tarde do CINE TRASH, acabei fã dele para sempre. Se eu tivesse alugado ele junto com O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, aquela tarde de sábado teria sido ainda mais inesquecível.

O filme tem início com uma fala do professor Alexander Sexton (Christopher Lee) já anunciando o trágico fracasso da sua expedição à Manchúria. O renomado arqueólogo britânico encontra um ser pré-histórico com cerca de dois milhões de anos de idade e o leva numa caixa para o expresso trans-siberiano. Lá, ele reencontra o seu rival de profissão Dr. Wells (Peter Cushing) acompanhado da sua assistente. Além deles, do chato inspetor Mirov (Julio Peña) e de outros personagens que são apresentados ao expectador, há um conde que está acompanhado da sua esposa e de Pujardov (o argentino Alberto de Mendoza, mais perfeito impossível!!), um monge malucão que insiste em dizer que o conteúdo da caixa que o Prof. Sexton está levando contém algo maligno após o falecimento em circustâncias misteriosas de um ladrão ao tentar abri-la. É aí que já temos um dos vários momentos memoráveis do filme que é quando Pujardov faz o sinal da cruz na caixa com um giz e o dito cujo não aparece nela!

Como estamos falando de um filme de terror, você já deve ter adivinhado de antemão que o ser encontrado pelo Prof. Sexton voltará a viver depois do embarque de todos os personagens e que muitos tripulantes do trem serão vitimados por ele. A criatura suga o cérebro de cada uma das suas vítimas, deixando os olhos destas completamente brancos. Sexton e Wells devem deixar um pouco a rivalidade de lado e desvendar o mistério que cerca esse monstro.


Que filme prazeroso de se ver é EXPRESSO DO HORROR. Antes de qualquer coisa, temos a mais querida e adorada dupla de atores da história do cinema de terror atuando juntos novamente: Christopher Lee e Peter Cushing. Os dois estão muito a vontade em seus papéis, fazendo com que as suas atuações sejam convincentes e divertidas ao mesmo tempo. Vale lembrar que Cushing estava muito abalado com o repentino falecimento da sua esposa e iria desistir de filmar essa realização do Eugenio Martin (assinando com o pseudônimo Gene Martin) para desespero do produtor Bernard Gordon. Graças ao amigo Christopher Lee, Cushing foi convencido de que fazer o filme seria bom para ele por causa dos bons tempos que ambos passaram em outros sets de filmagem.

As influências que a produção teve em outros títulos de importância pro gênero como ALIEN, O ENIGMA DE OUTRO MUNDO e O ESCONDIDO são inegáveis. O amigo Fernando Martins me lembrou ontem de que até Lucio Fulci foi influenciado pelo filme em THE BEYOND, uma de suas obras-primas. Já a sua influência mais notável é o clássico VAMPIROS DE ALMAS. Quer mais? Adicione a participação mais do que especial de Telly Savalas como um capitão cossaco (!!!!) a todas as outras grandes qualidades da produção onde destaco o roteiro esperto com diálogos divertidíssimos e inteligentes, a boa mão de Martin, a fotografia bacana de Alejandro Ulloa e a excelente e inesquecível trilha sonora John Cacavas, cuja música-tema é utilizada de maneira feliz em diversos momentos. A vontade que dá de sair assobiando (pra quem sabe, porque eu sou uma negação) ela depois de ver o filme por aí é enorme.

Não ligue para as evidentes limitações orçamentárias - o próprio cenário do trem foi reaproveitado de PANCHO VILLA, fita anterior de Martin também estrelada por Savalas - e divirta-se com as aproximadas 1h30min de um filme pequeno e despretensioso, mas feito com o coração e sem a mínima intenção de se tornar aquilo que eu e outros o consideram: um clássico do gênero.

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