quinta-feira, julho 27, 2006

CINEMA POLICIAL "MADE IN CHINA" NAS LOCADORAS

Com a grande demanda do mercado doméstico de DVD, algumas distribuidoras nacionais passaram a lançar várias produções vindas da Ásia e da Europa. Isso por um lado é algo bem positivo, pois vez ou outra, somos surpreendidos por belas surpresas. O porém é que muitas chegam com um atraso de 3, 4 anos e quando vamos ver algumas, são obras cinematográficas exemplares e que mereciam uma chance nos nossos cinemas. O estopim de tudo foi o início da onda dos remakes dos filmes de terror asiáticos, quando RINGU, a versão original de O CHAMADO, foi lançada em DVD enquanto a produção americana faturava alto nas bilheterias.



No mês passado, a Europa Filmes lançou o elogiado FULLTIME KILLER (2001) de Johnnie To - dos cultuados THE MISSION (1999) e ELECTION (2005), ainda sem previsão de estréia - com o título de PROFISSIONAIS DO CRIME. Estou bem ansioso para conferí-lo, afinal, gosto muito do cinema policial de Hong Kong desde que conheci os filmes de John Woo e Ringo Lam feitos nos anos 80.
Segundo a capinha, o disco não possui extras (algo que antes a Europa Filmes presava, basta lembrar do disco de DRÁCULA 2 - A ASCENSÃO onde até os comentários em áudio do diretor Patrick Loussier estão devidamente legendados em português), tem som original em cantonês e imagem em widescreen anamórfico.

Sinopse: Tok e O são dois matadores profissionais frios e calculistas com diferentes ideais e estilos.Um deles é obcecado por uma garota e fará de tudo para tê-la ao seu lado.O outro quer apenas o título de "Matador n°1". Tok e O se encontram num duelo onde apenas um sairá com vida.



DIVERGENCE (2005), dirigido por Benny Chan, o mesmo de A HORA DO ACERTO (New Police Story, 2004) com Jackie Chan, foi lançado como O JUSTICEIRO (que falta de criatividade...) há poucas semanas pela Flashstar Home Vídeo. Possuindo uma trama intrigante e elenco bacana, o filme tem toda a cara de ser bem recomendável.

Sinopse: A produção trata da história de três homens que, por ironia do destino, se cruzam e se vêem diante de um impasse em certo momento. Um é policial e não consegue superar o desaparecimento da namorada há cerca de 10 anos. Outro é um advogado renomado que está representando um líder do crime que está sendo processado por lavagem de dinheiro ao mesmo tempo em que tem o filho seqüestrado. O terceiro é um assassino implacável e misterioso que rompe um antigo código depois de se intrometer em um trabalho que já estava encerrado, e agora corre perigo.



Lançados no ano passado, CONFLITOS INTERNOS e BREAKING NEWS também são destaque. Distribuído pela LK-TEL, o último também foi dirigido por Johnnie To e o material extra - que sequer é mencionado na capinha - não está legendado. Segue abaixo um comentário feito pela minha pessoa para o Kinemail, site do camarada e cinéfilo recifense Fernando Vasconcelos:

"Produção chinesa recente nas locadoras nacionais. Dirigido por Johnnie To, o filme fala sobre a tentativa da polícia de Hong Kong recuperar a sua reputação perante a mídia depois da humilhação sofrida durante o ataque a uma quadrilha. A cena, que contém até um policial implorando pela sua vida aos bandidos, foi devidamente registrada por câmeras de TV, fotógrafos e jornalistas. A força policial acha o enconderijo dos criminosos e equipa os oficiais com micro-câmeras para filmar a investida até o seu final.

To, atuante desde os anos 80, é um dos realizadores mais cultuados e festejados do moderno cinema chinêsque só agora vem tendo seus filmes lançados aqui no Brasil. O seu BREAKING NEWS divide opiniões, tem gente que gosta muito e tem gente que odeia. No meu caso, eu apenas gostei. O maior foco dele é a ação, algo que prejudica um melhor desenvolvimento da excelente premissa, e os alívios cômicos muitas vezes soam desnecessários. Porém, os 90 minutos de duração passam rápido e a abertura, que mostra em aproximamente 7 minutos 'sem cortes' a fracassada emboscada dos policiais, é um colírio para os olhos."




Já o disco da Buena Vista de CONFLITOS INTERNOS apresenta extras bacanas como um bom making-off, cenas de bastidores e final alternativo. Uma das minhas últimas resenhas publicadas no Erotikill (infelizmente, sem atualizações desde o último dia 09) foi escrita sobre este filme especial.

Link: http://www.erotikill.com.br/filmes.php?opcao=ver&id=1158

Pronto, você tem agora 4 exemplares bem interessantes do recente cinema policial chinês para escolher na sua locadora mais próxima que não devem decepcionar aos fãs e apreciadores mais ferrenhos do gênero.

segunda-feira, julho 24, 2006

Notícias sobre o esperado GRIND HOUSE...

Kurt Russell completa o elenco de Grind House

Por Marcelo Hessel
24/7/2006


Durante a feira Comic-Con de San Diego, a Dimension Films anunciou o elenco completo de Grind House, novo filme de Quentin Tarantino (Kill Bill) e Robert Rodriguez (Sin City). Repare que o nome de Mickey Rourke não consta mais da lista... O ator simplesmente não apareceu para filmar sua participação!

O filme trará dois médias-metragens juntos, cada um com 60 minutos. O primeiro, "Planet Terror", horror com zumbis, é dirigido por Rodriguez. O outro, "Death Proof", terror com psicopatas, por Tarantino. Entre os dois serão colocadores trailers falsos, criados na tradição dos filmes dos anos 1970.

O média de Rodriguez tem Freddy Rodriguez, Rose McGowan, Josh Brolin, Marley Shelton, Michael Biehn, Jeff Fahey, Michael Parks e Stacy Ferguson, mais conhecida como a Fergie do Black Eyed Peas. O nome de Naveen Andrews, o Sayid de Lost, foi o último confirmado. Já o elenco do média de Tarantino, além dos repetecos de Rose McGowan e Marley Shelton, tem Zoe Bell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Sydney Tamiia Poitier, Tracie Thoms, Mary Elizabeth Winstead e, finalmente, Kurt Russell para o lugar de Rourke. Isso sem contar a lista de coadjuvantes ilustres que vai de Danny Trejo a Tom Savini.

As filmagens ocorrem em Austin, Texas.

Grind House será lançado em 6 de abril de 2007 nos EUA.

FONTE:

www.omelete.com.br

BLOODRAYNE (2006)

Quem diria que BLOODRAYNE sairia até melhor do que muita gente pensava? Está certo que aquele alemão pirado chamado Uwe Boll continua um diretor medíocre e sem a menor criatividade, mas a produção acaba divertindo justamente pelas razões erradas, assim como HOUSE OF THE DEAD que muitos detestaram e me fez rir bastante. Ainda nem tive coragem para assistir ALONE IN THE DARK, só que, diferente de HOD, BLOODRAYNE é uma super-produção. Com elenco principal de caras conhecidas (Kristanna Loken, Michael Madsen, Matt Davis, Michelle Rodriguez e Ben Kingsley) e filmado inteiramente na Romênia, algo que por si só já garante uma atmosfera legal, o longa tem um fiapo de história que deixei logo de lado assim que a ação tomou conta do filme.

A pretensão de Uwe Boll é a verdadeira cereja do bolo. O cara pensa que está filmando um épico!! Na boa, ele devia ficar assistindo a SENHOR DOS ANÉIS direto nos intervalos de filmagem, porque quase todas as vezes que alguém senta a bunda num cavalo começam aquelas tomadas aéreas ao som de umas músicas que também querem ser de filme épico. E a hilária trilha sonora - que toca praticamente o filme todo - é um show à parte, com essas mesmas músicas (e que tem aqueles corinhos chatos de fundo he he he) sendo utilizadas desnecessariamente em várias cenas.

O negócio é mesmo desligar o cérebro e curtir a boa sanguinolência - a cargo do também alemão Olaf Ittenbach, talentoso técnico de efeitos e realizador de filmes pra lá de sanguinários como ALÉM DOS LIMITES (de 2003, lançado há pouquíssimo tempo nas locadoras pela distribuidora Visual Filmes) - as vampiras gatinhas e as pontas de luxo de Geraldine Chaplin (!!!), Udo Kier, Meat Loaf, Billy Zane (canastrão ao extremo, num personagem que entra e sai do filme sem fazer qualquer diferença) e Michael Paré. Isso mesmo, o moçinho do RUAS DE FOGO que agora se dedica a participar de coisas como A VINGANÇA DOS GÁRGULAS (do Jim Wynorski, que me deixou sorridente só pelo trailer) para pagar os cheques.

Ben Kingsley fazendo cara feia e Uwe Boll se achando um diretor sério.

BLOODRAYNE garante divertidos 90min para quem curte cinema classe B. Para melhorar tudo, as cenas de luta não convencem e o elenco pouco se importa com suas atuações. Ben Kingsley, inclusive, tem aqui o seu pior desempenho. Seu personagem é um vampiro chamado Kagan (he he he) que fica sentado o tempo inteiro reclamando e dando ordens. Não duvido nada que todas as cenas dele tenham sido filmadas em um dia. A canastrice rola solta e dá até para ver que Billy Zane se diverte enquanto contracena com Will Sanderson (que está na maioria dos filmes de Boll e aqui faz Domastir, braço-direito de Kagan) por ter descoberto a existência de algum ator pior do que ele.

Podem me chamar de doido, mas a única coisa que fez BLOODRAYNE ser um fracasso tão grande de bilheteria é o nome de Uwe Boll nos créditos de direção. Somente isso, pois Hollywood continua nos empurrando filmes bem piores guela abaixo. VELOZES E FURIOSOS 3 vem aí...

PS: Aviso aos cuecas (e moças interessadas, lógico), Kristanna Loken paga peitinho numa cena de sexo muito sem noção.

sábado, julho 22, 2006

11:14 (2003) VS CRASH (2004)

11:14 e CRASH - NO LIMITE são dois filmes bem distintos, mas que possuem algumas semelhanças entre si. Eles fazem parte da liga dos "filmes com narrativa diferente onde vários personagens se encontram e se desencontram" como SHORT CUTS, PULP FICTION, AMORES BRUTOS, MAGNÓLIA, TRAFFIC, 21 GRAMAS, SIN CITY e SYRIANA.


CRASH - NO LIMITE ficou ainda mais famoso do que merecia por ser uma das maiores (senão a maior...) zebras acontecidas na história do Oscar, pelo fato de ter recebido os prêmios de Melhor Filme (!!!), Melhor Roteiro (!!!) e Melhor Edição (!!!). Confesso que ainda fiquei um pouco chocado quando soube, pois já tinha me preparado devido aos absurdos cometidos em outras edições do evento. Pensando melhor depois de ter lido a divulgação das premiações, notei que estava tudo muito bem esquematizado, afinal, é de se estranhar a inclusão de um filme datado de 2004 numa premiação que iria acontecer em 2006. A contemplação de CRASH na festa do Oscar foi uma prova inegável do pavoroso tradicionalismo da Academia, que simplesmente deixou um filme adulto, forte e poderoso chamado MUNICH voltar para casa de mãos abanando.


Já 11:14 é outra vítima da injustiça. Apesar de possuir uma boa reputação nos festivais em que circulou e gente talentosa interpretando seus errantes personagens, esta produção de 2003 não teve chance nos cinemas norte-americanos e foi lançada diretamente em vídeo e DVD. Isso acontece normalmente com filmes ruins e de bom elenco como END GAME, só que 11:14 não é de maneira alguma um filme ruim. Trata-se de uma produção independente muito bem realizada e divertida, mostrando o que acontece a várias pessoas no horário estipulado de 11:14 da noite e como as suas ações (bem imbecis, na maioria das vezes) acabam influenciando a vida dos outros.

Lembrou de CRASH - NO LIMITE? Sim, é exatamente a mesma premissa. O filme oscarizado tem o foco na questão do preconceito (olha a pretensão aí...) e seus personagens também cometem atos que influenciam o cotidiano dos outros participantes da trama. Vamos a um pequeno e fundamental detalhe: Os personagens de 11:14 residem numa pequena cidade do interior norte-americano, enquanto os protagonistas de CRASH moram em Los Angeles!!

Muitos podem acusar 11:14 de beber na fonte de Tarantino e dos Irmãos Coen. Sim, e daí? O próprio roteirista e diretor Greg Marcks admite as suas influências. E CRASH não é nenhum exemplo de originalidade. 11:14, produto da mente de um jovem realizador de 26 anos, ainda veio 1 ano antes do longa de Paul Haggis. Temos também o pouco conhecido e delicioso CASH - EM BUSCA DO DÓLAR (quase... porém o título original é Twenty Bucks) de 1993 que acompanha a trajetória de uma nota de vinte dólares desde a sua retirada no banco pelas mãos de várias pessoas. Outro detalhe: Brendan Fraser está no elenco he he he.

Serei muito sincero. Nenhum dos dois filmes é grande coisa, mas se eu fosse recomendar algum, ficaria com 11:14 sem sequer pensar 1 milésimo de segundo. Meus motivos? Confiram abaixo:

10 COISAS A DIZER SOBRE 11:14




1 - Créditos de abertura criativos e divertidos, mostrando os membros da equipe como se fossem carros numa estrada.
2 - Já começa pegando fogo numa cena muito bem interpretada por Henry Thomas.
3 - Tem cenas imprevisíveis e insanas.
4 - Conta com um elenco escolhido pelo talento dos atores.
5 - Não se leva a sério.
6 - Foi feito apenas com o propósito de divertir e fazer pensar um pouco nas coisas que podem acontecer em cada minuto de nossas vidas.
7 - Merecia exibição nos cinemas.
8 - Passatempo bom e interessante.
9 - Final tipo: Pootz, esse é o fim?
10 - Tem 1h24min de duração.

10 COISAS A DIZER SOBRE CRASH - NO LIMITE



1 - Créditos de abertura sem nada de interessante.
2 - Já começa morno com Don Cheadle fazendo cara azeda.
3 - Tem cenas covardes e irritantes.
4 - Conta com um elenco escolhido pelos nomes famosos.
5 - Se leva muito a sério.
6 - Foi feito com a intenção de redimir as merdas que os norte-americanos fizeram e que continuam fazendo por causa dos seus inúmeros preconceitos.
7 - Merecia ser especial de TV divulgado pela Oprah Winfrey.
8 - Drama medíocre e hipócrita.
9 - Final brega e meloso.
10 - Tem 1h53 de duração.

terça-feira, julho 18, 2006

Origem


Além do seu nome proporcionar uma saudável brincadeirinha (tipo: Fulano(a), Vá e Veja meu blog he he he), este novo blog foi batizado com o título de uma das mais inesquecíveis e poderosas experiências cinematográficas que tive. Dirigido por Elem Klimov e ambientado na Bielo Rússia de 1943, VÁ E VEJA (Idi i Smotri, 1985) relata a dura jornada pela qual o jovem Florya (Alexei Kravchenko) se vê forçado a enfrentar em meio aos horrores da guerra. Além de ser cinema de primeiríssima qualidade, VÁ E VEJA é uma obra de impacto incontestável que deixa o espectador cada vez mais desolado com o que está assistindo. Assisti ao filme no dia 17 de setembro de 2005, numa lotada sessão especial do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (localizado aqui em Recife) e me lembro de tudo como se fosse ontem. Posso dizer que fiquei acomodado em uma cadeira cujo conforto revelou-se ineficaz perante as imagens exibidas, que - modéstia à parte - fui um dos primeiros a aplaudir ao término da fantástica montagem do final e que saí de uma sala de exibição onde um silêncio ensurdecedor reinava. Eu nunca tinha visto aquilo em toda a minha vida! Sem dúvidas, VÁ E VEJA é um filmaço que está na minha mira para uma futura revisão.

PS: Infelizmente, o filme ainda não foi lançado em DVD no Brasil e só está disponível numa velha e rara VHS da Globo Vídeo.

segunda-feira, julho 17, 2006

Apresentação

Quem diria? Aqui estou eu criando um blog. Foi algo que me deu na telha esses últimos dias, e quando divulguei a idéia para seis pessoas pelas quais nutro um sentimento de consideração (Felipe Macedo, Fernando Martins, Fernando Vasconcelos, Fernanda Oliveira, Luiz Joaquim e Titara Barros), recebi aprovação imediata. Não sei se ele será ótimo, apenas legal ou um senhor fracasso. Só sei que aqui será um cantinho no qual irei escrever e postar sempre quando puder sobre um assunto que me fascina e que continuarei amando pelo resto da minha vida. Trata-se do CINEMA.

Darei meus pitacos sobre outros assuntos que me agradam (música, inclusive), mas o maior foco é mesmo a Sétima Arte. O caráter do blog - assim como o dos blogs em geral e o próprio cinema - será bem subjetivo e ninguém é obrigado a aceitar todas as minhas opiniões. Enfim, se você achar algum filme que gostei uma bela duma porcaria, meta o dedo no teclado descendo a lenha que irei ler. Espero que aqui seja um ponto de encontro com alguns amigos e outras pessoas que também curtam trocar idéias e partilhar conhecimentos.

Um grande abraço para todos.