segunda-feira, dezembro 04, 2006

A PROFECIA (The Omen, 1976, EUA)

Eu tinha uns 14 anos quando assisti A PROFECIA pela primeira vez. Foi uma experiência cinematográfica particularmente perturbadora e difícil de se esquecer, pois sequer imaginava que filmes de terror poderiam ser tão realistas (desde que a gente entre no clima, lógico). Enfim, eu não estava preparado para o impacto que o filme transmite ao seu espectador, mesmo com a censura batendo com a minha idade na época. E aquela trilha sonora maravilhosamente sinistra de Jerry Goldsmith colaborou bastante para o efeito que ele teve na minha vida de cinéfilo. Aí só fui revê-lo de maneira decente só agora neste finalzinho de 2006, mais precisamente no último domingo. Meus caros, este filme é simplesmente um clássico. Ele já começa mostrando que é caceteiro, com créditos de abertura musicados pela clássica AVE SATANI e a imagem de Damien e sua sombra, que é uma cruz de cabeça para baixo!! Vôte!

A PROFECIA inicia com o diplomata americano Richard Thorn (um memorável Gregory Peck) a caminho do hospital onde sua esposa Katherine (Lee Remick) está internada para trabalho de parto. Chegando lá, ele descobre que o seu filho morreu, mas acaba adotando uma criança nascida no mesmo dia cuja mãe também faleceu através do padre responsável pelo setor de adoções da maternidade sem o consentimento da sua amada. Anos depois da adoção, acontecimentos estranhos passam a fazer parte da rotina da família Thorn e outros personagens como o Padre Brennan (Patrick Troughton, perfeito!), o fotógrafo Keith Jennings (David Warner) e a babá Srta. Baylock (Billie Whitelaw) acabam se envolvendo numa trama inesquecível que nos revela aos poucos de que o pequeno Damien (Harvey Stephens) é, de fato, o filho do demônio.

O filme é exemplar e tem tudo a seu favor. Richard Donner consegue ser simples e elegante ao mesmo tempo na sua direção, contribuindo para a força do roteiro de David Seltzer. O seu objetivo foi fazer exatamente aquilo que me deixou tão impressionado antes e que ficou ainda mais visível nesta revisão: um filme de terror que faz o espectador pensar na possibilidade daquilo tudo acontecer na vida real. Se ficamos apreensivos só de pensar que o demo está presente no nosso planeta como um ser humano, imagina então se ele estivesse no corpo de uma criança? Vôte de novo!

Como falei antes, Gregory Peck tem uma atuação marcante como Richard Thorn e posso dizer que fiquei comovido com seu personagem em vários momentos. E o restante do elenco principal é de uma categoria indescritível. Quem gosta de boas atuações sabe que cada um deles acaba brilhando em alguma seqüência, principalmente Billie Whitelaw e Patrick Troughton que aproveitam ao máximo o seu tempo de cena.

Mas o clima aterrorizante de A PROFECIA não seria tão inesquecível se não fosse pela já citada trilha sonora fodástica (junção de foda com fantástica, enriqueça o seu vocabulário. VÁ E VEJA é cultura hehe) de Jerry Goldsmith. Ela nos provoca de uma maneira que só vendo e ouvindo o filme para crer. As partituras receberam o Oscar de Melhor Trilha Sonora, numa das pouquíssimas vezes que o Oscar fez justiça a alguma produção do gênero. O garotinho Harvey Stephens foi muito bem escolhido e dirigido por Donner, tendo aqui um dos melhores e mais citados desempenhos de um ator mirim. O famoso sorriso dele na conclusão ainda é algo de gelar a espinha. Há ainda uma série de várias cenas antológicas, como a do empalamento, a do zoológico, a do velocípede, os cães no cemitério e a decapitação que é vista através de três ângulos diferentes!! Nelas, a elogiosa montagem do veterano Stuart Baird ganha um merecido destaque.

Se você é fã de terror e ainda não assistiu A PROFECIA, nem queira perder seu tempo com a recente refilmagem (que é até legal e fiel, mas inferior) e assista logo ao original em toda a sua glória.

Um comentário:

§;-) LEOH disse...

Recentemente eu comprei este filme, junto com outros do mesmo gênero que eu adoro, contudo ainda não o revi, assistir ele há muito tempo numa sessão do intercine, confesso que tenho um pouco de medo deste filme, e a citada trilha sonora é fenomenal. Vale a pena assistir com calma e mais de uma vez.