quarta-feira, setembro 27, 2006

O DIA DA DESFORRA (La Resa dei Conti, 1966)


2006 está sendo bem positivo para mim, como fã de cinema. Apesar de não ter curtido tanto os lançamentos nos cinemas como no ano passado, eu estou vendo vários filmes bacanas que sequer tinha idéia de que seriam tão legais e outros queria conferir faz um bom tempo. TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA foi um deles e nesse último final de semana tive o grande prazer de assistir O DIA DA DESFORRA, um clássico dos faroestes italianos dirigido pelo talentosíssimo Sergio Sollima.

Preciso urgentemente ver mais filmes deste diretor. Só me lembro de ter visto FACE A FACE há exatos 7 anos atrás numa cópia em VHS dublada e com fullscreen assassino da Reserva Especial. Isso não me impediu de ficar impressionado com a grande mudança de comportamento sofrida pelo personagem do excelente Gian Maria Volonté. Ele deve mesmo ser um filmaço, como os amigos Otavio Pereira e Heraclito Maia fazem questão de afirmar. Aliás, Heraclito batizou o seu querido Blog da Desforra em homenagem a este filme que aqui comento e foi através do Otavio no Cineitalia que adquiri uma cópia dele em DVD-R.

A trama principal de O DIA DA DESFORRA tem início quando Jonathan Corbett (Lee Van Cleef), um famoso caçador de recompensas com aspirações políticas, que topa de imediato perseguir um exímio atirador de facas mexicano Cuchillo Sanchez (Tomas Milian, simplesmente maravilhoso), quando passa a saber numa típica festa da alta sociedade local patrocinada por Brockston (Walter Barnes) que o sujeito é acusado de violentar e matar uma menina de 12 anos. Cuchillo não se demonstra nada difícil de ser encontrado, só que ele sempre arranja uma maneira de fugir por causa da sua invejável esperteza, enquanto Corbett continua tentando botar as mãos nele.

Lee Van Cleef é o primeiro nome do elenco e está muito bem interpretando Corbett, um dos ótimos papéis que justificam a predileção deste ator em continuar trabalhando na Itália, mas o filme é mesmo de Tomas Milian. O cubano encarna Cuchillo com uma bela e inesquecível desenvoltura em sua atuação. Não consigo nem imaginar alguém compondo melhor esse ótimo e ambíguo personagem. O sujeito é tão carismático e palhaço que o espectador fica indeciso se torce para ele ser pego ou não, mesmo sendo acusado de um crime tão hediondo. Eu já era fã do Tomas Milian antes e agora fiquei mais ainda ao vê-lo neste que foi o papel que o consagrou.

Além de ser um programaço para qualquer fã de bangue-bangue italiano que irá reconhecer faces familiares dos filmes do período (Gerard Herter, Fernando Sancho, Nello Pazzafini, Benito Stefanelli e Lorenzo Robledo), O DIA DA DESFORRA também possui uma grande e válida crítica aos valores sociais daquela época que é feita sem prejudicar o entretenimento. Os vários momentos antológicos como a rápida estadia de Cuchillo na fazenda de uma viúva cobiçada pelos seus capangas, a "picada" da cobra e os duelos finais conseguem ficar ainda mais memoráveis por terem a marcante trilha do genial Ennio Morricone, que faz uso de "Pour Elise" composta por Beethoven num deles. Não se deve deixar de assistí-lo em widescreen, porque a condução de Sergio Sollima é bem auxiliada pela cinematografia de Carlo Carlini, que apresenta belíssimos ângulos e enquadramentos. O DIA DA DESFORRA é um ótimo filme que merece ser mais conhecido e tenho certeza de que gostarei mais dele quando o rever por causa da riqueza dos seus detalhes. Só não dou nota 10 para ele, pois preferia que a duração fosse maior hehehe.

OBS: Caso o visitante não tenha notado, mais links de blogs foram adicionados ao lado e acabei de colocar o tema completo do filme O RETORNO DE RINGO em MP3 no post do meu comentário sobre o mesmo.

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