quarta-feira, agosto 20, 2014

Até a próxima

Faz um tempo bem considerável que eu não escrevo algumas linhas com exclusividade para a meia dúzia de leitores deste blog, se é que ainda os tenho. Blogueiros como eu, que foram ativos no auge da popularidade dos blogs de cinema, ficaram bem desanimados com o quanto a blogosfera foi deixada de lado a favor do imediatismo das redes sociais e seus textinhos de 5 frases ou menos.

Por conta dessa chamada "evolução", fomos lentamente condicionados a parar de trocar idéias e impressões nos blogs dos amigos, que eram os seus cantos de cinema como o meu com o Vá e Veja, Ronald com o Dementia 13, Leandro com o Viver e Morrer no Cinema, Leopoldo com o Cine Demência, Heráclito e Otávio com o Viscera, o imbatível Ailton e o Diário de um Cinéfilo e outros. E também - de certa maneira - fomos condicionados a simplesmente parar de escrever pelo simples prazer de se escrever e trocar idéias com esses amigos e com quem mais estivesse lendo os nossos blogs.

Houve um tempo que passou a ser desestimulante tocar o Vá e Veja em frente, quase que uma obrigação. Isso sem falar das rasteiras e reviravoltas que levamos da vida. Eu tinha 21 anos quando abri esse blog em julho de 2006. Hoje tenho 29. As prioridades mudam. Devo muito ao Vá e Veja, ele me trouxe muitas alegrias, mas o fato é que escrever de graça no seu blog pessoal não bota o pão na sua mesa.

Manter um blog de cinema nunca foi tarefa fácil. É preciso tempo, dedicação, inspiração e tesão. E senti um pouco de tudo isso na noite de hoje ao ver um belo e esquecido filme dos anos 90 chamado "Jogando com a Sorte" (The Music of Choice) e por também ter revisto o genial "Tropas Estelares" (Starship Troopers). Mas ao mesmo tempo eu não sinto mais aquela vontade de pegar 1h ou mais e tentar escrever um texto pois, no fim das contas, esse texto não terá muita coisa diferente do que já foi escrito a respeito desses filmes.

Enfim... tudo isso apenas para dizer que estou desanimado como eu nunca estive para escrever sobre cinema, por incrível que pareça. Não sei se essa será a última postagem do Vá e Veja mas se assim for, saibam que eu curti a jornada e sou muito agradecido por todo o carinho e estímulo recebidos ao longo desses 8 anos. Um grande abraço.

Ah e o Blogger continua uma merda. :p

quinta-feira, fevereiro 13, 2014

3a. Mostra Spaghetti Zombies!


Quase dois anos após a 1ª mostra, os zumbis carcamanos voltam para aterrorizar os espectadores recifenses onde tudo começou: no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco. A Spaghetti Zombies chega a sua 3ª. edição e o evento busca apresentar a famigerada produção de um ciclo do cinema popular italiano responsável por alguns dos melhores e piores exemplares deste subgênero do cinema de horror: o “filme de zumbi”.  Podemos dizer que foi o explosivo sucesso de “O Despertar dos Mortos” de George A. Romero na Itália, certamente influenciado pela participação criativa de Dario Argento na produção, roteiro e escalação do grupo Goblin para a trilha sonora do longa, que gerou a grande quantidade de filmes do subgênero produzidos neste país para o mercado local e internacional, a partir de “Zumbi 2 – A Volta dos Mortos” (1979), de Lucio Fulci.

Com o alucinado “Demons – Filhos das Trevas” (1985) como longa de abertura na sessão do Cineclube Dissenso deste sábado (15/02), às 13h50, podemos dizer que a 3ª. edição da Spaghetti Zombies já diz a que veio. Depois do filme, debate com o curador Osvaldo Neto, que deu prioridade aos títulos com uma carga maior de entretenimento intencional e também não-intencional, claro.  Os demais longas da Mostra serão exibidos no período de 17 a 21 de fevereiro na Sala João Cardoso Ayres a partir das 19h30.

A programação é composta de longas do início, meio e final deste ciclo, cujos títulos vão do sublime ao bom e velho “pé na jaca” de uma tranqueira dirigida por Bruno Mattei. Falando nele, é certo dizer que os filmes de zumbis italianos fizeram com que realizadores, como o próprio Mattei, Claudio Fragasso, Lamberto Bava, Lucio Fulci e Umberto Lenzi (todos representados nesta 3ª. edição), superassem limites em matéria de violência e nudez gratuitas. Preparem-se para obras que não passam de meras desculpas para encher a tela do cinema com mortes horripilantes e cenas que chegam a ser delirantes de tão surreais, como o antológico duelo entre um zumbi capoeirista e um tubarão no já citado “Zumbi 2” (1979), o filme que marcou o início deste ciclo.

Conhecer os filmes de zumbis realizados na Itália é também conhecer uma importante parte da história do horror cinematográfico deste país que continua a influenciar e a apaixonar diferentes gerações de cinéfilos e realizadores em todo o mundo. Boa diversão.

Edições anteriores:
Através do inestimável apoio do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco e do Cineclube Dissenso, tivemos a 1ª. sessão da Mostra Spaghetti Zombies em 19 de março de 2011. Neste dia, exibimos o filme “Pelo Amor e Pela Morte” (1996), de Michele Soavi, num belo pontapé inicial para essa mostra que foi um sucesso de público entre os moradores e visitantes do Recife ao longo dos próximos dias até a sua conclusão, na sexta-feira 25/03 com “Burial Ground – Noites de Terror” (1981).  Já em outubro de 2012, tivemos a oportunidade de levar a Spaghetti Zombies para São Paulo em parceria com a FlyCow Produções e a Prefeitura da Cidade de São Paulo na Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Corrêa onde apresentamos a Spaghetti Zombies 2.0 numa versão extendida da mostra apresentada no Recife.

3a. MOSTRA SPAGHETTI ZOMBIES

PROGRAMAÇÃO

15/02: “Demons – Os Filhos das Trevas” (Demoni, 1985) – 13h50

Direção: Lamberto Bava
Roteiro: Dario Argento, Lamberto Bava, Franco Ferrini, Dardano Sacchetti.
Elenco:  Urbano Barberini, Natasha Hovey, Karl Zinny, Fiore Argento, Geretta Geretta, Bobby Rhodes e Michele Soavi.

Um misterioso homem mascarado (um jovem Michele Soavi, também assistente de direção do longa) distribui ingressos gratuitos para um grupo de pessoas – pasmem, até mesmo um cego - prestigiarem a reabertura de um antigo cinema. Mal sabiam eles que o filme de horror exibido no local também passará a ser realidade com muitos dos espectadores lutando pela sua sobrevivência contra o ataque de outras pessoas que foram transformados em horrendas criaturas.

Tentativa bem sucedida do então produtor Dario Argento de fazer sucesso no mercado norte-americano com uma produção inteiramente italiana, DEMONS é o longa mais famoso de Lamberto Bava, filho do mestre Mario Bava. Argento co-escreveu o roteiro e fez com que a trilha fosse composta por Claudio Simonetti e repleta de sucessos do Rock e do Heavy Metal dos anos 80. Podemos escutar de Accept, Saxon e Motley Crue a Rick Springfield e Billy Idol enquanto os humanos tentam sobreviver aos ataques dos monstros.

Após a sessão, debate com Osvaldo Neto, curador da mostra, na sala João Cardoso Ayres a partir das 15h45.

17/02: “Zumbi 2 – A Volta dos Mortos” (Zombi, 1979) – 19h30

Direção: Lucio Fulci
Roteiro: Elisa Briganti e Dardano Sacchetti
Elenco: Tisa Farrow, Ian McCulloch, Richard Johnson, Al Cliver, Auretta Gay e Olga Karlatos.

Um zumbi é encontrado a bordo do barco de um famoso cientista. Preocupada, a sua filha parte com o namorado para a ilha onde o cientista conduzia estranhos experimentos. Lá, eles descobrem que o local foi tomado por uma epidemia que transforma os habitantes locais em zumbis aparentemente indestrutíveis.

Clássico obrigatório do mestre Lucio Fulci, “Zumbi 2” foi lançado pelos seus distribuidores como uma continuação não oficial e sem qualquer relação com “O Despertar dos Mortos” de George A. Romero. Mas isso não diminui em nada o merecido culto que este grande obra possui entre os admiradores do gênero. Destaque para a marcante trilha de Fabio Frizzi e os incríveis efeitos de Gianetto de Rossi. Uma cena em particular deve fazer com que boa parte do público feche os olhos ou vire o rosto durante a exibição.

18/02:   “Nightmare City” (Incubo sulla città contaminata, 1981) – 19h30

Direção: Umberto Lenzi
Roteiro: Antonio Cesare Corti, Luis María Delgado, Piero Regnoli
Elenco: Hugo Stiglitz, Laura Troetter, Maria Rosaria Omaggio, Francisco Rabal, Eduardo Fajardo e Mel Ferrer.

Acidente nuclear transforma um famoso cientista em morto-vivo que cotamina toda a tripulação de uma aeronave. Ao aterrizar em um aeroporto europeu, os zumbis descontrolados escapam, espalhando terror e contaminando todos aqueles que caem em suas garras. Diante da ameaça de uma epidemia em massa, o repórter Dean Miller (Hugo Stiglitz) tenta desesperadamente salvar sua esposa e alertar a população sobre a terrível verdade. 

Em entrevistas, Lenzi afirma que não existem zumbis em “Nightmare City”, mas pessoas infectadas. De fato, as criaturas deste filme são bem diferentes dos zumbis que costumamos ver: eles não apenas atacam as pessoas com os dentes, mas também com facas, machados e disparos de metralhadoras!! O longa é um divertidíssimo exemplar do ciclo que se beneficia da boa mão do diretor de obras notórias como “Almost Human”, “Cannibal Ferox” e ”Eyeball” que mantém um ritmo acelerado durante todo o seu tempo de duração.

Pessoas que se trasformam em zumbis ao serem infectadas por meio de radiação... bonito, seu Danny Boyle. Bonito.

19/02 – “Predadores da Noite” (Virus, 1980) – 19h30

Direção: Bruno Mattei e Claudio Fragasso (cenas adicionais)
Roteiro: José María Cunillés, Rossella Drudi, Claudio Fragasso e Bruno Mattei
Elenco: Margit Evelyn Newton, Franco Garofalo, Selan Karay, José Gras e Gabriel Renom

Em uma instalação militar na Nova Guiné, um acidente libera um gás tóxico na atmosfera capaz de transformar seres vivos em zumbis. Uma equipe de elite é enviada ao local para acabar com os zumbis e eliminar os vestígios da operação militar conhecida apenas como “Operação Doce Morte”.

Um filme de Bruno Mattei. Se você já tem alguma familiaridade com esse nome, já sabe que Mattei é a resposta macarrônica ao Ed Wood e que muitos de seus filmes são verdadeiras comédias involuntárias. “Predadores da Noite” é um espetáculo da mais pura picaretagem (e por quê não?) criatividade características deste saudoso realizador, falecido em 2007. É de uma ingenuidade contagiante ver a inserção na montagem de cenas de documentários para convencer o espectador de que os personagens estão nas selvas da Nova Guiné, ainda que o filme tenha sido rodado na Espanha e que a diferença da qualidade do vídeo entre as duas filmagens seja bem gritante. Imperdível para os fãs de uma tranqueira.

20/02 – “A Terceira Porta do Inferno” (Oltre la morte, 1989) – 19h30

Direção: Claudio Fragasso
Elenco: Jeff Stryker (creditado como Chuck Peyton), Candice Daly, Massimo Vanni, Jim Gaines e Nick Nicholson

Jenny (Candice Daly) volta para a ilha nas Filipinas em que os seus pais foram mortos. Eles trabalhavam numa cura para o câncer e, acidentalmente, acabam despertando os mortos ao enfurecerem um sacerdote vodu. Um grupo de mercenários acompanha a mulher que se encontra com outros pesquisadores na ilha.  Esse bando de idiotas termina por despertar – mais uma vez - os zumbis filipinos sedentos por sangue e tripas.

Em time que ganha, não se mexe. Esse certamente deve ter sido o pensamento do produtor Franco Gaudenzi quando convocou Claudio Fragasso – então roteirista e braço direito de Mattei desde o início dos anos 80 – e sua esposa Rossella Drudi para rodarem “A Terceira Porta do Inferno” nas Filipinas, um filme de zumbis de baixíssimo orçamento produzido com a intenção de recuperar as perdas financeiras com “Zombie 3”,  podreira que garantiu uma hilária e inesquecível sessão na 1ª. edição da Spaghetti Zombies. Esse longa não fica muito atrás em matéria de qualid... opa, ruindade. 

“A Terceira Porta do Inferno” é bem lembrado por conta da presença de Jeff Stryker no elenco, um astro de pornô gay que tentou carreira no cinema ‘legítimo’ com esse filme e uma participação em “Amore Sporco” (aka “Dirty Love), versão exploitation de filmes como “Dirty Dancing”, “Flashdance” e “Footloose” dirigida pelo Joe D’Amato. Fragasso e Drudi também são os responsáveis por “Troll 2”, outra pérola da ruindade que gerou um simpaticíssimo documentário chamado “The Best Worst Movie.” Somente para os corajosos.

21/02 – “Noite Maldita” (Black Demons, 1991) - 19h30

Direção: Umberto Lenzi
Roteiro: Olga Pehar
Elenco: Keith Van Hoven, Joe Balogh, Sonia Curtis, Felipe Murray e Juliana Teixeira

Kevin, Dick e Jessica são três jovens americanos que viajam para o Rio de Janeiro a fim de estudar o samba (!!!!), mas Dick se sente fortemente atraído pela macumba e o vodu. O rapaz acaba assistindo a um ritual executado num terreiro escondido no meio do mato (!!!) e termina possuído pela magia negra. Dick terminará despertando seis escravos negros que foram brutalmente assasinados durante o período da colonização portuguesa e cujos espíritos vingativos clamam pela morte de seis pessoas brancas.

Talvez o filme mais curioso para boa parte dos espectadores desta 3ª. Spaghetti Zombies, o pouco visto “Noite Maldita” foi realmente filmado no Brasil com equipe e elenco internacional.  Algo que diferencia esse longa de grande parte dos outros títulos do ciclo é o fato dele ter sido rodado com som direto. Nota-se o carregado sotaque dos atores brasileiros que precisaram dizer todas as suas falas em inglês, isso sem falar dos típicos diálogos nas produções estrangeiras feitas em nosso país onde os personagens nativos tentam misturar inglês com português. Enfim, por conta desta e de outras incongruências que acontecem ao longo da narrativa, não existe nada de muito aterrorizante neste filme do Lenzi. O diretor termina preferindo ir por um caminho bem seguro, sem nunca aproveitar para tirar um sarro e ser politicamente incorreto com a trama. Poxa vida, temos seis escravos negros que querem matar seis branquelos!! Spike Lee teria feito uma festa com esse roteiro.

Curiosidade: Lenzi aproveitou a estada no Brasil para realizar um outro filme, desta vez em Manaus. Trata-se de “Operação Golden Scorpion”. Uma fita de ação e aventura estrelada por David Brandon (o Calígula de “Calígula 2 – A História Não Contada”, do Joe D’Amato) e pelo nosso Cecil Thiré (isso mesmo, você não leu errado) como o bandidão principal.

Caso você queira saber mais sobre “Operação Golden Scorpion”, “Noite Maldita” e mais outros filmes que fazem/fizeram parte de todas as edições da Spaghetti Zombies no sensacional blog do jornalista e pesquisador Felipe M. Guerra, o Filmes Para Doidos. Felipe disseca os longas com direito a SPOILERS sobre as narrativas. Ou seja, fica a dica caso você já tenha visto os filmes ou não se importe com uma ou outra surpresa das histórias sendo “estragadas”.

AVISO: Uma galinha tem a sua cabeça cortada durante a cena do ritual de magia negra em “Noite Maldita”. Caso você não suporte assistir a imagens como essa, respeitamos a sua decisão em não comparecer à exibição do filme. Obrigado.

Inventário Cult do Dementia 13

O amigo Ronald Perrone, capitão do excelente Dementia 13, me fez o irrecusável convite para enviá-lo uma lista com meus 10 Eurocults do coração para o seu Inventário Eurocult. Não pensei muito, evitei repetir diretores, tentei mesclar puta filmes conhecidos com outros que não mereciam ser tão esquecidos, mas acabei enviando 15 títulos ao invés de 10.  :-)

Além de mim, outros amigos também enviaram e estão enviando as suas listas para Ronald compartilhar em seu blog. Parabéns ao meu caro amigo pela iniciativa! Será uma experiência das mais ricas acompanhar um pouco do olhar desse pessoal que entende e muito do assunto.

terça-feira, dezembro 24, 2013

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Cineclube Dissenso: OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS (Anguish, 1987)



OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS (Anguish, 1987), de Bigas Luna, é o filme de encerramento das atividades do Cineclube Dissenso em 2013. O realizador catalão passou a ser reconhecido em 1978 com BILBAO, que foi selecionado para o Festival de Cannes do mesmo ano. Sempre atrevido e corajoso, Luna gostava de mexer e tirar um bom sarro com a identidade e o machismo do povo espanhol, de carregar os seus filmes de erotismo. Trata-se de uma marca autoral evidenciada em filmes como LOLA, AS IDADES DE LULU, JAMÓN, JAMÓN (que revelaria Javier Bardem e Penelope Cruz), OVOS DE OURO (também estrelado por Bardem) e A TETA E A LUA, seus maiores sucessos comerciais e de crítica.

Luna faleceu aos 67 anos neste ano de 2013, vítima de leucemia. OS OLHOS DA CIDADE SÃO MEUS é a sua única contribuição ao cinema de horror, mas ele não se contentou em fazer um filme que poderia apenas ser visto como parte de um gênero. A obra também se revela um intrigante trabalho com metalinguagem e uma homenagem ao cinema como experiência coletiva, prestando reverência a esse gênero que se faz presente desde os primórdios da sétima arte. O filme será exibido neste sábado, 07 de dezembro, da maneira como ele deve ser visto: no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, a partir das 14h. 

Não poderíamos encerrar nossas atividades de 2013 sem agradecer o apoio fundamental do departamento de cinema da Fundação Joaquim Nabuco e a você, nosso estimado público, pela sua presença e colaboração na divulgação das sessões e nos debates. Esse contagioso amor ao cinema se renova a cada uma de nossas sessões nestes últimos 5 anos de Cineclube Dissenso. Obrigado!

Fabio Ramalho
Osvaldo Neto
Rodrigo Almeida

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Os Olhos da Cidade São Meus (Espanha, 1987) , de Bigas Luna
Sábado, 07 de dezembro - 14h
Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Entrada Gratuita

sexta-feira, novembro 29, 2013

PROFISSÃO: LADRÃO (Thief, 1981) no Cineclube Dissenso




Na tarde deste próximo sábado 30 de novembro, a partir das 14h na Sala João Cardoso Ayres, o Cineclube Dissenso tem o prazer de exibir PROFISSÃO: LADRÃO (Thief, 1981), primeiro filme para cinema dirigido por Michael Mann (FOGO CONTRA FOGO, COLATERAL, INIMIGOS PÚBLICOS). Trata-se do segundo trabalho do realizador exibido no Dissenso. Nosso público pôde conferir A FORTALEZA INFERNAL (The Keep, 1983) em agosto de 2012.

Boa parte da força deste filme, também conhecido através do título RUAS DE VIOLÊNCIA, reside em um excelente James Caan como Frank, um ladrão de extremo profissionalismo e seguidor de um rígido código de honra, um sujeito de poucos amigos que não tem o que perder na vida. Mann também não perde tempo ao introduzir a rotina deste personagem ao espectador com muita eficiência logo nos créditos iniciais, apresentados durante uma cena de roubo onde os diálogos são quase inexistentes. Essa abertura joga o espectador no mundo em que essa personagem vive, um mundo em que pessoas reagem de maneiras difíceis de serem compreendidas por pessoas “comuns”, que tiveram boa criação e tem a sorte de contar com o apoio de uma família. Não é o caso de Frank que viveu a maior parte de sua vida atrás das grades, assim como Okla (Willie Nelson), o seu mentor.

Em uma bela cena, Frank vai à cadeia visitar esse homem que é o mais próximo que ele teve de um pai e diz a ele que conheceu uma garota. “Você se casará com ela?”, é a primeira pergunta que Okla o faz. Ele não perguntou se Frank a achou bonita, aonde a moça trabalhava, se ela era boa de cama, ele perguntou se o sujeito se casaria com ela porque a única maneira para homens como eles se encaixarem de alguma forma na sociedade é se casando e tendo filhos. Frank guarda na carteira uma colagem de fotos de revista que expressa o seu ideal de felicidade, sua procura por uma vida melhor, pacífica e com uma família depois de realizar um último golpe que o fará ter tudo isso.

Não é para menos que ele se envolve em um roubo organizado por Leo (Robert Prosky, em sua estréia no cinema aos 51 anos de idade) e, ao mesmo tempo, se dedica a conquistar o coração da garçonete Jessie (Tuesday Weld). Em outro momento marcante do filme, Caan entrega um monólogo de quase 10 minutos em que Frank se abre por completo para essa mulher. O famoso intérprete de Sonny Corleone já declarou que essa cena em particular seria o melhor momento de toda a sua carreira.

Michael Mann e James Caan nos bastidores de PROFISSÃO: LADRÃO
Além de Prosky, Dennis Farina, John Santucci, John Kapelos e William Petersen (o astro de VIVER E MORRER EM LOS ANGELES, dirigido por William Friedkin) também estreiaram no cinema através deste filme. Mann se utilizou da ajuda de ladrões da vida real para dar mais autenticidade às cenas de roubo e alguns deles interpretaram policiais, enquanto ex-policiais interpretaram bandidos. John Santucci – falecido em 2004 – interpreta Urizzi, um policial corrupto, mas ele também trabalhou como consultor técnico por ter sido ladrão de jóias no passado. Dennis Farina, falecido neste ano de 2013, foi ex-policial e interpretou um dos capangas de Leo.


Apesar de ser o seu primeiro longa para cinema, PROFISSÃO: LADRÃO é um filme onde Michael Mann atinge um equilíbrio entre estilo e substância jamais igualado em seus trabalhos posteriores. O longa já aponta diversas características e temas que seriam revisitados nos próximos filmes do diretor (sua obsessão com a autenticidade; a linha tênue entre policiais e criminosos; personagens que buscam redenção por seus pecados), sem falar do rico cuidado visual e sonoro que também se tornaria uma assinatura de Mann. A excelente trilha sonora foi composta pelo grupo Tangerine Dream, cujo trabalho também foi notado por quem acompanhou as nossas sessões de O COMBOIO DO MEDO e A FORTALEZA INFERNAL.

Curiosidade: DRIVE (2011), de Nicolas Winding Refn, é muito influenciado por esse longa de Michael Mann. Se você gostou deste filme, saiba que as suas chances de gostar de PROFISSÃO: LADRÃO acabam de se tornar maiores.

SERVIÇO
Cineclube Dissenso
Profissão: Ladrão (Estados Unidos, 1981), de Michael Mann
Sábado, 30 de novembro - 14h
Sala João Cardoso Ayres
Entrada Gratuita